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Nos bastidores da indústria porno na HungriaPublicado em 2016-09-21 na categoria Pornografo / Cinema porno
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“Budapeste é hoje o centro mundial da indústria do vídeo pornográfico. Por toda a capital húngara, multiplicam-se os estúdios, as agências de modelos, os centros de produção porno. Que as raparigas sejam bonitas e desprovidas de preconceitos e de dinheiro ajuda a explicar o fenómeno. Mas não chega. É preciso ter em conta as transformações rápidas e traumatizantes das sociedades do Leste, que, em poucos anos, saíram do comunismo para o capitalismo selvagem, regimes com uma característica comum: o desprezo pelo ser humano. A pornografia é, certamente, consequência dessas perturbações, mas também o espelho metafórico da sociedade de personagens sem alma que é a nossa: pornográfica. Nos principais papéis: Kovi, o pornógrafo que procura um lugar para as suas histórias, Alex, que fabrica histórias para os seus lugares, e Michelle Wild, que tem na cabeça todas as histórias, mas já não há no mundo lugar para elas.”Não diga aos seus leitores que Budapeste é a cidade da pornografia.” Está fora de questão o orgulho que Magdalena tem no seu marido, o rei da pornografia húngara, o grande Kovi. Mas percebe-se que há também um gume a feri-la por dentro e a rasgar-lhe um sulco de cinza à volta dos olhos. “Budapeste tem tantas coisas fascinantes… Não é só pornografia.” Um gume a cavar-lhe um fosso em torno dos sonhos, da juventude azedada num círculo grotesco, da vida encerrada numa pantomima. Não está em causa a honra de ser esposa e assistente executiva e relações públicas de Kovi, o senhor incontestado do vídeo pornográfico da Hungria, provavelmente do mundo… Budapeste é uma paixão. De todas as capitais europeias do Leste, nenhuma é tão encantadora. A elegância das mulheres no Café Gerbeaud, a animação das conversas nas esplanadas da Praça Vorosmarty, a inspiração dos músicos no passeio de Rakpart, ao longo do Danúbio, fazem-nos sentir no centro da Europa. De uma Europa eufórica e vaidosa que há muito não existe nas cidades do Ocidente. Quem diria que estas eram, há pouco mais de dez anos, as ruas tristes de uma capital comunista! Nenhuma outra cidade europeia se modernizou tão rapidamente, em nenhuma se respira esta liberdade, esta disponibilidade para o que é novo”. |
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