Abusada
Publicado em 2013-07-26 na categoria Contos eróticos / Fantasias


Já se passava das dez da noite quando os amigos de Michele comunicaram-lhe que teriam que ir embora. Estavam na biblioteca da faculdade a fazer um trabalho em grupo, que teria de ser apresentado no dia seguinte, logo pela manhã. Michele adiantou que iria ficar mais um pouco, pois queria acertar alguns detalhes para que a apresentação ficasse perfeita.

Os amigos insistiram para que fossem embora todos juntos, alertando-a para o perigo de ir para casa sozinha àquela hora e num lugar perigoso como eram os arredores do campus da universidade. A advertência dos amigos fazia sentido, casos de violação não eram raros no campus e, especialmente, nos últimos dias, esses ocorreram em número preocupante.

A notícia era de que havia um ousado violador atuando fortemente naquela região. A preocupação tornava-se mais grave porque Michele iria embora de autocarro, e, no caminho até ao ponto, havia um terreno baldio, escuro, cercado, muito propício para alguém se aproveitar do espaço para cometer essa terrível violência.

Michele adiantou que estava consciente de todos os riscos, mas preferia ficar e terminar a tarefa na biblioteca, pois em casa não podia contar com o sossego necessário para o exercício e temia não conseguir acordar cedo, no dia seguinte, para fazer os devidos acertos no documento.

Os amigos insistiram; mais vez ela recusou-se a ir embora. Respondeu que não havia motivo para tanta inquietação, que os casos de violência não eram tão frequentes e afirmou não ter medo, pois sabia como se defender em tais circunstâncias. Ao fim, garantiu que ligaria para o irmão ir buscá-la e, num tom de deboche, declarou aos outros:

- Bobagem! Não se preocupem comigo, tenho armas naturais. A minha aparência, no lugar de atrair o violador, vai espantá-lo. Aposto que ele foge assim que me vir.

O senso de humor debochado era uma das suas marcas registradas; não poupava ninguém de piadas, muitas vezes impróprias e pesadas, nem a si mesma, mas, diante da gravidade do assunto, os amigos não acharam tanta graça na brincadeira dessa vez. Não queriam ir sem Michele, no entanto, diante da garantia de que ela ligaria para o irmão, concordaram em deixá-la só.

Apesar do exagero na sua autoavaliação negativa, com efeito, a nossa amiga não era a mais bela das mulheres. Ostentava poucos e isolados atributos físicos, que só dos mais atentos poderiam chamar atenção.   

Não há dúvidas de que beleza é um elemento subjetivo, mas cada sociedade estabelece os seus padrões, e Michele estava fora da maioria dos estabelecidos pela nossa. Alguém ainda poderia argumentar que há quem enxergue graça nos que são considerados menos agraciados pela natureza, argumento com que devo concordar. Porém, entre adolescentes ou jovens adultos, ainda pouco maduros, a chance de que apareça alguém com semelhante percepção costuma ser mais difícil. Por essas e outras, a pobre há tempos não estabelecia ligações amorosas, estáveis ou casuais. Era a colega agradável com quem todos gostavam de conversar, mas que não despertava o interesse sexual de ninguém.

Michele dizia não se importar com a falta de interesse dos homens por ela; estava mais preocupada com o curso, com as notas nas disciplinas, com a vida acadêmica em si; relacionamentos, portanto, não estavam entre as suas prioridades naquele momento. Contudo, independentemente da conformação estética da pessoa, se ela gozar de saúde, o desejo sexual, em maior ou menor grau de intensidade, estará presente e atuante. E, no caso de Michele, por alguma ironia da natureza, se esqueceram de lhe dar formosura, deram-lhe excesso de apetite sexual. 

Tinha uma lubricidade acima do normal, não podia sequer pensar em sexo que ficava intumescida na altura do busto e encharcada na altura do quadril. Poderia ser abstinência! Alegaria alguém. Não, ela era quente por natureza mesmo. Não tinha a menor dificuldade em ficar excitada, menos ainda para chegar ao orgasmo; bastavam alguns pensamentos, algumas  pequenas carícias e pronto: satisfação certa.

Quando buscava aliviar a sua tensão sozinha – algo  muito frequente nos últimos meses –, com poucos e simples toques, entrava tranquilamente em êxtase, diversas vezes, num curto prazo de tempo. 

Já se valeu do autoestímulo, inclusive, durante a aula, em várias ocasiões. Ao lembrar-se de alguma situação excitante ou se achava um professor ou colega de sala atraente ao ponto de provocá-la, posicionava uma das mãos no seu sexo – sobre a calça mesmo –, cruzava as pernas, e discretamente fazia os movimentos de pressão; alguns poucos minutos, e gozava deliciosamente. Tudo na maior discrição.  

Todavia, nesses momentos, um ritual era estabelecido, e um observador mais atento poderia notar que algo diferente sucedia com a compenetrada colega, e não era uma profunda reflexão sobre o tema da aula: ela prendia o lápis entre os dentes, abaixava a cabeça e apoiava a testa com uma das mãos; alguns tremeliques e... orgasmo! Como tinha facilidade! Como ela gostava dessa prática!

Voltando, então, àquele dia, Michele terminou o trabalho depois da meia noite. Era tarde, tinha até procurado refúgio em outro espaço da universidade porque a biblioteca já se tinha fechado. Ligou para o irmão diversas vezes, mas o telefone celular não atendia. Depois de muita insistência, resolveu arriscar e ir embora sozinha, de autocarro, pois não tinha dinheiro suficiente para o táxi, nem havia a quem pedir emprestado. Poderia ligar para um dos amigos, mas não quis incomodá-los. Como não tinha medo, resolveu seguir até ao ponto a pé mesmo.

Parecia ser mesmo corajosa, atravessou sem tremores os gramados arborizados e escuros da universidade, que poderia ser um local  convidativo para um ato de violência. Mas ainda não tinha alcançado o trecho mais perigoso, o tal terreno baldio. Era um terreno bem grande, cercado de folhas de madeirite pintadas de branco, com duas ou três aberturas estratégicas ao longo na proteção, onde alguns usuários entravam para gozo das suas substâncias proibidas, aberturas que também poderiam ser usadas pelo suposto violador para o seu gozo específico.

Finalmente avistou os tapumes, nem pensou em desviar do caminho, ainda mais porque não viu ninguém por perto; seguiu impávida como se gozasse de super poderes. Quando já estava no meio do terreno, surgiu inesperadamente um indivíduo, que lhe encostou ao abdome uma faca e ordenou-lhe silêncio. Devido ao susto, Michele gritou, mas logo uma grande e forte mão tapou-lhe a boca. A ordem para que ficasse calada foi repetida. Nem era necessária porque o medo a emudeceu completamente.

Em seguida, o malfeitor conduziu-a para uma das aberturas existentes naquele muro de madeira. Trêmula, ela deixou-se levar sem resistência. Não conseguiu divisar as características do homem, menos ainda as suas feições; só notou que era alto e, pela força empregada por ele nas acções, deveria ser de compleição robusta.

O sujeito era frio, falava pouco, dava as ordens sempre em tom seco e baixo: “Quieta. Tira a roupa. Vou-te comer gostoso, sua vagabunda!” Michele tentou resistir; soltou uma sequência de “nãos” suplicantes; pedia, quase em prantos, que fosse poupada. Como resposta, recebeu uma poderosa bofetada no rosto, que a levou ao chão.

No chão, entre insultos, recebeu mais dois bofetões nas faces. Como não tirou a roupa por vontade própria, o violador despiu-a ele mesmo, não sem violência. Num só golpe, perpetrado ao mesmo tempo por ambas as mãos, abriu a blusa da indefesa vítima; a faca cortou o sutiã e também riscou a pele, justamente no vale que separa os seios.

O sangue pareceu ter excitado ainda mais a fera, pois ele arfou com ainda mais força ao ver o líquido vermelho e o lambeu com ardor. Fez mais um corte num dos peitos de Michele, não só com o propósito de aterrorizar a infeliz, mas também para sentir outra vez o gosto de sangue. O talho foi acima da auréola e, assim que o sangue banhou o mamilo, o perverso homem chupou-o com avidez tresloucada. Esse acto deixou-o incontrolável, insultou Michele outras vezes, deu-lhe mais dois bofetadas e abriu apressadamente as calças dela.

Livrou, em seguida, o seu membro. Rangia e mostrava os dentes como um vampiro sedento; rosnava como um cachorro louco; parecia ter vontade de devorá-la a dentadas. E foi o que ensaiou fazer ao cravar os dentes no ombro da sua presa; em seguida, embrenhou os dedos nos cabelos dela e começou a puxá-los com forças.

Quando estava pronto para cometer a indigna violação, eis que surge uma voz da abertura próximo de onde estavam: “Ei, o que isso? O que você está fazendo?” Na madrugada os ruídos, por mais baixos que sejam, não costumam passar despercebidos, pois um homem que por ali andava ouviu os resmungos e os murmúrios que infame violador e a sua vítima produziram. Entrou e apanhou o desalmado a aproveitar-se da coitada.

O violador, ágil e experiente, recompôs-se a toda a velocidade e imprimiu uma maior ainda ao saltar o cercado para fugir dali sem ser capturado. O anjo salvador saiu ao encalço do patife, mas não conseguiu alcançá-lo. Mais preocupado com a situação da vítima, desistiu de perseguir o vil agressor e voltou para saber como a pobre estava.  Michele estava a levantar-se.

De cabeça baixa, ajeitou como pôde a sua roupa e recolheu os seus objetos. Ainda de semblante fechado, juntando com uma das mãos as duas partes da sua blusa, seguiu em direção ao seu herói. No momento em que ele se aproximou para ampará-la nos braços, ela, olhando firme e seriamente para o homem, com a mão que carregava os livros, deu-lhe um golpe no peito e exclamou: “Desgraçado!” e, com passos irritados, saiu do terreno sem ao menos olhar para trás.

 
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