A autodescoberta II
Publicado em 2013-04-26 na categoria Contos eróticos / Fantasias


Duas perguntas Sílvia respondeu sim sem titubear: desejava fazer sexo oral e também anal e que mesmo que no final a aventura se revelasse apenas excitante (sem concretização de facto) ela sentir-se-ia muito bem. Pensou que, na verdade, apenas o facto de participar de algo assim – diferente – já faria da sua vida monótona um pouco diferente da entediante rotina do dia a dia sem sal e sem tempero.

A próxima página pedia uma descrição do tipo físico pretendido pela “sonhadora” com alguns detalhes também muito comprometedores. Sílvia, mais uma vez, hesitou, pensando que seria melhor desistir de tudo e ignorar aquela aventura sem rumo.

Todavia, pensou melhor, e optou por correr o risco, já que aventura sem risco não tem a mínima graça. Descreveu o homem dos seus sonhos com todos os detalhes que vieram à sua mente. Cor dos olhos, dos cabelos, altura, tipo físico, tamanho do membro, forma, cor de pele, etc.

Estava tão excitada e ansiosa que quando terminou achou melhor ler o que escrevera e qual não foi a sua surpresa ao perceber que o homem que ela descrevera era o seu marido com alguns “detalhes” a mais – aliás, detalhes que ela apenas criara para atender ao seu inconsciente – deixando-a sem entender o que fizera.

De qualquer modo estava feito. Apertou a tecla de envio e a página foi processada pelo site. Seguiu-se alguns minutos de espera (angustiante, pensou ela), até que, finalmente, uma nova página se abriu. Nela havia a informação que ela deveria descrever o “roteiro” da fantasia, a fim de proporcionar ao “realizador” a possibilidade de visualizar o cenário em que a acção deveria se desenrolar.

Mais uma vez Sílvia hesitou, principalmente porque o site pedia também uma foto de corpo inteiro (vestida, é claro), para que ficasse nos seus arquivos protegidos e apenas vistos por eventuais interessados na realização da “fantasia”. E o próprio site abriu uma pequena janela que orientava o posicionamento da sua “webcam” possibilitando que a foto fosse extraída naquele exacto momento.

Com medo, trémula e pensando que tudo aquilo não passava de uma total loucura, Sílvia accionou o disparador da câmara e afastou-se o suficiente para que a sua imagem fosse captada. E num piscar de olhos, a sua imagem apareceu no ecrâ, com uma pergunta de autorização para gravação da imagem. Ela aproximou-se, pensou, tremeu mais um pouco, riu nervosamente, pensou em desistir, mas, quase de modo tresloucado, concordou e apertou o teclado. Estava feito!

Faltava apenas o “roteiro”. Pensou, pensou, e pensou muito. Imaginou diversas situações excitantes, mas não podia entender como o “realizador” seria capaz de torná-las reais o suficiente para que ela se sentisse imergida na fantasia que concebera para si mesma.

Como é que alguém “normal” iria perder o seu tempo em montar um “cenário” para satisfazer uma mulher de meia-idade, casada e insatisfeita? Quem seria louco o suficiente para concordar com tudo aquilo para, no final, não sentir qualquer prazer, inclusive com o risco de ela sequer aparecer no dia em que o evento for marcado?

Apenas um maluco ou pervertido deitaria todos os seus esforços no sentido de realizar não a fantasia dela, mas sim a dele. Amanhecer morta, atirada para uma valeta não era o fim ideal para uma aventura sexual. “Tudo isso é insano!”, Sílvia pensou; “É melhor deixar para lá!”, a sua mente não conseguia processar tudo aquilo.

Desistir seria o melhor a fazer. Continuar a sua vida como estava era o correcto a fazer. Não havia uma razão contundente para prosseguir com aquela loucura. E se Paulo viesse a descobrir! O que ia ser do seu casamento! Não, definitivamente, ela precisava parar com aquilo, desistir e apenas perder uns euros. E assim que apertou a tecla “esc”, uma mensagem apareceu informando que o arquivo seria guardado para quando ela quisesse continuar.

Tentou em vão recuar daquela operação, mas o sistema prosseguiu de modo próprio e arquivou tudo o que ela fizera até então. A página fechou-se automaticamente retornando à homepage do site. Sílvia desligou o equipamento e foi até à cozinha beber um pouco de água. Estava literalmente atordoada e não sabia se tudo o que havia feito era certo ou errado.

Pensou em voltar e desfazer o que havia acabado de concretizar, esquecer tudo e voltar para a cama ao lado do seu marido. Porém, ao mesmo tempo sentia a necessidade de saber se alguém iria ler a sua página, se havia algum “realizador” que se apresentaria para satisfazer aquele desejo contido (reprimido) por anos de vazio e de desejo não realizado.

Pensou também em contar tudo ao marido, mas hesitou pela simples ideia de como ele reagiria. Atormentada, amedrontada e cansada, acabou por cair no sono na mesa da cozinha, acordando quando a madrugada já estava alta e o silêncio das ruas demonstrava que nada mais havia o que fazer apenas deitar e dormir.

Pela manhã, acordou com Paulo beijando-lhe a face e dizendo que precisava viajar a negócios e que voltaria apenas no domingo pela manhã. “Domingo pela manhã!”,pensou ela, “mas o aniversário de casamento é no sábado!”. Ouviu um solene e sincero pedido de desculpas, com a afirmação de que fariam alguma coisa para comemorar mesmo com atraso.

Despediu-se mais uma vez, sendo que a última frase que ouviu foi que ele não se esqueceria do seu presente. Sílvia passou o resto do dia desconcertada com a viagem repentina do marido e a tristeza de passar o aniversário de casamento sozinha e sem ter o que fazer.

Foi para a academia, mas nem mesmo a aula de aeróbica mudou o seu ânimo. Saiu de lá a pensar que a melhor coisa a fazer era ir ao centro comercial e torrar o cartão de crédito do marido (afinal, roupas e sapatos novos são um excelente remédio para a tristeza feminina).

Passeou pelos corredores, olhou para todas as vitrinas, apreciou algumas coisas, mas não sentiu qualquer ímpeto em comprar algo novo ou diferente. Quando estava a passar em frente a uma loja especializada em roupas íntimas, ouviu o toque de mensagem do seu telefone celular. “Entre nessa loja. Há uma surpresa à sua espera”.

O coração dela disparou de uma forma que parecia querer sair pela boca. Ela não sabia a origem da mensagem já que o remetente não estava identificado. Olhou assustada para os lados, pensou que tudo aquilo poderia ser alguma brincadeira de mau gosto das suas amigas, mas facilmente percebeu que não havia ninguém próximo o suficiente para que ela pudesse confirmar as suas suspeitas.

Novo toque e nova mensagem: “Vamos, entre! A vendedora está na porta à sua espera”. Sílvia percebeu que, de facto, havia uma vendedora e assim que ela se aproximou a moça entregou-lhe um pacote com um sorriso nos lábios, dizendo que o conteúdo já estava pago. Sílvia, meio sem jeito, agradeceu e voltou as costas caminhando rapidamente para a porta de saída.

Entrou no seu carro e finalmente teve coragem de olhar o conteúdo. Era uma linda lingerie novinha e muito excitante. Vermelha com fio dental e detalhes metálicos parecendo botões de pressão. Outra mensagem: “Já que você não descreveu a sua fantasia, vamos fazer a minha, … vá para casa, tome um longo e relaxante banho com os brindes que estão à sua espera. Amanhã enviarei novas instruções, … divirta-se e aproveite o dia, … ah! Não tenha medo, eu não sou um bicho papão!Beijos”.

Sílvia estava simplesmente enlouquecida! Tudo aquilo não podia – e nem devia – estar a acontecer! Loucura total! E o tiro de misericórdia veio ao chegar a casa e perceber que havia um entregador à sua espera com uma linda cesta de presentes; ela recebeu-os, agradeceu ao entregador e deu-lhe uma gorda gorjeta pelo trabalho.

Entrou em casa e ficou ali na sala a olhar para os presentes que havia aberto quase sem pensar. Havia sais de banho, loções para a pele, perfumes, um lindo vestido jovial e sapatos vermelhos extremamente altos.

Sílvia não sabia o que pensar.

Correu para o seu notebook e acedendo à página da “ilha dos sonhos”, enviou uma mensagem ao “fale connosco”, solicitando informações sobre aquela loucura que estava a acontecer. E a resposta, imediata, foi curta e lacónica: o seu desejo estava a ser atendido.

A tarde chegou e encontrou a mulher desabada na sala de estar apenas a olhar para o ecrã da televisão desligada, um copo de uísque nas mãos e um ar de desamparo quase infantil. “

O que é que eu vou fazer, … Meu Deus! Tudo isso só pode ser alguma partida de muito mau gosto!” Ah! Se eu descobrir que foi coisa do Paulo eu mato-o! … Coisa do Paulo? É isso! Aquele maluco deve ter aprontado tudo isso para comemorar nosso casamento, … sim, é isso! Ele vai voltar no sábado e fazer-me uma surpresinha daquelas!”

 
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