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Rendido a seus pésPublicado em 2013-06-06 na categoria Contos eróticos / Fetiches
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Que pés femininos delicados e bem cuidados podem actuar como poderosas armas de sedução não causa estranheza a ninguém. Estranho mesmo é quando esse fetiche assume importância exagerada. Pois, o personagem desse conto sofria desse mal: Marcelo levava essa sua paixão por pés ao extremo...Admitia qualquer outra imperfeição na anatomia feminina, porém as extremidades inferiores deveriam ser, segundo os seus critérios de beleza, perfeitas. Para medirmos a loucura do nosso amigo por essas partes, os seus olhos, ao identificar uma mulher, rumavam imediatamente para o chão; se o corpo da avistada estivesse assentado sobre belos pontos de apoio, ali os seus olhos firmavam-se e não mais subiam; ele já tinha motivos suficientes para iniciar a abordagem. Porém, se a base de sustentação corpórea do objeto alvo fosse desprovida de estética, os seus olhos nem se davam ao trabalho de verificar se a, então, desafortunada possuía outros atributos físicos que pudessem agradar-lhe; essa mulher tornava-se simplesmente desinteressante para ele, por mais linda que fosse. Na roda de amigos, quando o assunto era o sexo oposto (sabemos que, em roda de homens - mulheres também, vai - invariavelmente esse assunto aparece), discorria sobre os pés femininos com tal eloquência que chamava a atenção até de quem não participava da conversa. Se existisse alguém novo à mesa, descrevia detalhadamente o que julgava ser um pé perfeito. Nas suas palavras, os pés femininos não podem ser muito grandes, nem pequenos demais, no mínimo número 34 e, no máximo, 37. Os dedos não podem ser longos, nem curtos; nem gordos, nem magros; e a relação de tamanho entre eles deve obedecer ao padrão “escadinha”, ascendente do dedo mínimo para o dedão, de modo que seja possível obter uma hipérbole se a ponta de cada dedo puder ser ligada, uma a outra, por um traço. As unhas devem ser retangulares ou ter a forma de um trapézio isósceles invertido; nunca circulares. Em ambas as formas aceitas, as extremidades internas e externas dessas lâminas de queratina devem ser ligeiramente arqueadas. Ainda sobre as unhas, essas não devem ser afundadas, incrustadas, daquelas que geram uma volumosa borda de dedo ao seu redor. E dedinho deve contar com unha, nem que seja mínima. Calos, joanetes, unhas encravadas?! Nem pensar! Terminada a descrição, ele falava das delícias que um pezinho de pele macia pode proporcionar. Era tão veemente que não raro fazia adeptos. Certa vez, um amigo lhe confessou que, depois de ouvi-lo, passou a dar uma importância que não dava a essas partes da anatomia; inclusive, em mais de uma oportunidade, já teve o seu desempenho sexual prejudicado porque não conseguia tirar da cabeça a feiura dos pés da, agora, deforme com quem estava. Marcelo, ao ouvir casos como esse, sentenciava: “É... mulher-pavão, não dá.” Aos que desconheciam o significado desse termo, esclarecia: “mulher-pavão: exuberante, mas com os pés feios.” Em razão dessa exigência toda por pés, não é difícil deduzir que Marcelo tinha dificuldades de entrar num relacionamento. Porém, depois de longa procura, esse podólatra incorrigível achou a mulher dos seus sonhos: pés mais perfeitos que os dela não poderiam existir. Sem mencionar que a agraciada pela natureza sabia muito bem como utilizá-los nos momentos de prazer. Com essa beldade, Marcelo andava feliz e realizado, vivia o melhor momento da sua vida no campo amoroso. Até que, por iniciativa da amada, por razões que desconhecemos, o relacionamento dos dois chegou ao fim. Depois que aqueles lindos e delicados pés lhe aplicaram um poderoso chuto no traseiro, o infeliz ficou inconsolável, andava triste e acabrunhado, tanto por ter sido abandonado pela mulher da sua vida, como por estar seguro de que não mais encontraria mulher com extremidades inferiores tão belas. Como era de se esperar, passou-se muito tempo, e Marcelo não mais conseguiu encontrar pezinhos que lhe agradassem. Bateu numa solidão. E, nesse estado, muitos homens ficam mais suscetíveis a aceitar convites de amigos para visitar aquelas casas onde se obtém diversão rápida, fácil e descompromissada; desde que, é claro, se apresente uma contrapartida pecuniária. Todavia, nem mesmo nesse local, o nosso amigo parecia divertir-se. As dançarinas eram belas, mas essa beleza, segundo a sua avaliação, não descia abaixo da linha do tornozelo. Até que, numa dessas noites, um dos amigos correu esbaforido em direção ao infeliz, que a essa altura já se encontrava sozinho num canto escuro da casa, e lhe comunicou a grande nova. “Marcelo, vamos até à pista, acho que vais gostar dos pés dessa aí que acabou de entrar, nunca vi pés tão bonitos.” Meio desconfiado, Marcelo foi conferir a novidade. Ficou embasbacado! Os pés da dançarina eram espetaculares! Subiu o olhar só o suficiente para memorizar o rosto da felizarda (movido somente pela intenção de reconhecê-la depois, caso ela cobrisse aquele par de pérolas), em seguida voltou rapidamente os olhos para aquelas duas belezas. As formas daquelas delicadas partes eram perfeitas. Parecia que alguém as desenhara lendo os seus pensamentos; era a materialização de tudo que tinha em mente. Acompanhou maravilhado toda a performance da dançaria. Deixou, entre carícias efusivas, todas as notas que trazia nos bolsos nas tiras das sandálias que acomodavam aquelas duas lindas joias. Beijo-as, reverenciou-as, e seguiu com essas práticas até que os maravilhosos pezinhos deixaram o palco. Ficou à porta da boate esperando a saída daquela cujos pés o enfeitiçaram e a abordou para saber se ela oferecia outros tipos de serviços. Para sua felicidade, sim. Combinou o cachê, pegou o número de telefone da bela e deixou agendado um encontro, que se daria dali a dois dias. Esperou ansioso pelo grande momento não só para rever aquelas preciosidades, mas também para conferir se o seu desempenho na hora do prazer seria correspondente à sua estética perfeita. Ao telefone, pouco antes do encontro, fez as suas solicitações sobre como deveria estar os pés: cor das unhas, tipo e cor da sandália, estado (sem creme ou perfume, pois gostaria de besuntá-los com esses produtos durante o ritual amoroso). Chegou a hora aguardada, e, sem demora, iniciaram os momentos de intimidade. Marcelo revelou à profissional a sua particular preferência, mas nem precisou detalhar a maneira como os pés dela deveriam actuar: a jovem adivinhou os seus desejos. Parecia que ela atendia com frequência esse tipo de pedido, porque a desenvoltura com que ela trabalhava com essas partes, mesmo com alto nível de exigência do nosso amigo nesses assuntos, impressionou-o bastante. Primeiramente, ela ofereceu um dos pés para o beijo, que foram dados sem economia por Marcelo; beijos que foram seguidos por chupões, lambidas e mordidelas, desferidos em toda a extensão do objeto adorado. O pé, agora húmido de saliva, desceu deslizando pelo pescoço e ombro; deu voltas e pressionou cada mamilo. Depois, seguiu trajetória descendente pelo abdómen até ao púbis; em seguida, tocou levemente o pénis já há muito erecto. Continuou a passear, agora, pelos testículos. Correu o períneo e voltou ao saco escrotal, para, enfim, juntar-se ao seu gémeo, e ambos começarem a deliciosa carícia final. Tocaram primeiramente o pico daquele ativo vulcão e deslizaram até a base. Subiram e desceram, leve e constantemente. O ritmo que, a princípio era cadenciado, acelerou-se no compasso da agitação vulcânica, seguindo assim até essa elevação explodir em quentes larvas, que envolveram quase inteiramente aqueles dois travessos. Ao fim da operação, Marcelo ficou acabado de prazer. O que parecia impossível aconteceu: chegou novamente ao paraíso por meio de belos pezinhos. Infelizmente, naquele dia, o tempo do contrato acabou. Mas, antes de ir embora, o nosso amigo podólatra deixou acertado o próximo encontro, que se deu na semana seguinte. Já o terceiro ocorreu no intervalo de cinco dias. O quarto, o quinto e o sexto, em intervalos cada vez menores, até que a frequência tornou-se diária. E o cachê diminuía à medida que a frequência das visitas aumentava, até que nada mais foi cobrado: o sentimento que surgira entre os dois não mais poderia ser representado monetariamente. Em certa oportunidade, após se amarem, enquanto realizava o seu ritual costumeiro de massagens e carícias nos pés da amada, sem deixar de olhar aquelas duas maravilhas, Marcelo decidiu quebrar o silêncio que sempre imperava entre os dois, nesse momento, para uma grande revelação. Sem qualquer preâmbulo, ele fez a proposta: “Quer casar-se comigo?”. Sandra (a dona dos belos pés), com os olhos fixos nas mãos do amado respondeu sem hesitar: “Quero sim.” Como poderia dizer não? Afinal, nunca antes na vida, ela vira mãos masculinas tão bonitas, sensíveis e habilidosas... |
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