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A chantagemPublicado em 2013-06-21 na categoria Contos eróticos / Hetero
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Soraia já tinha perdido a paciência com os seus relacionamentos. Há tempos vivia sozinha e só queria saber de homem ao seu lado para a sua diversão. A verdade é que uma mulher com esses propósitos não encontra dificuldades para achar homens dispostos a aceitar as suas condições. E, assim, já fazia algum tempo que Soraia se divertia com Marcos, um colega de trabalho, seu subordinado. Além dessa relação de hierarquia, Marcos era casado; portanto, não lhes restava alternativa a não ser levar esse relacionamento com a máxima discrição. Permitiam-se apenas, não sem alguma apreensão, um joguinho de provocações; meio arriscado, mas muito excitante, que até servia como tempero para os seus encontros clandestinos. Faziam parte da brincadeira: carícias nas costas um do outro com as unhas, mãos entrelaçadas sob a mesa de trabalho, troca de alisadas e apalpadas nas coxas, e até roubo de alguns selinhos. Tudo isso no ambiente de trabalho, muitas vezes com os demais colegas presentes. Até então ninguém descobrira ou desconfiara dessas travessuras juvenis que tinham lugar entre os dois amantes; e eles seguiam com o seu romance oculto sem nenhum sobressalto. Mas, quando a mão do acaso decide perpetrar os seus golpes, não há escapatória; e os dois amantes tornaram-se as suas mais novas vítimas. Em certa oportunidade, percebendo que estavam sozinhos na sala onde trabalhavam, Soraia e Marcos renderam-se às suas atrevidas práticas. Acariciaram-se, deram-se cheirinhos nos pescoços, e até avançaram ao ponto máximo permitido: selinhos. Mas, como sempre, logo pararam quando pressentiram o perigo. Antes que, Francisco, outro colega de trabalho, retornasse à sala, eles já tinham terminado a sua brincadeira indecente, e cada um já estava na sua posição de trabalho. Também à sua mesa, retornou Francisco que voltou a entreter-se com o seu tablet, adquirido na véspera, para se familiarizar logo com as funções do aparelho. Quando ele destravou o dispositivo, a grande surpresa: devido à sua imperícia ao manusear o tablet, ele deixou a câmara ligada e gravou tudo o que passara na sala de trabalho logo atrás da sua, exatamente o local onde Soraia e Marcos trocaram carícias. Que revelação! Pela intimidade, cumplicidade, risinhos e olhares, entre os dois, estava claro para Francisco que eles eram amantes. O que fazer com essa gravação? Apagar, é óbvio! Essa é a atitude mais correcta. A não ser que... Francisco, desde que entrou na empresa, tempo que já contava dois anos, alimentava uma paixão arrebatadora pela sua chefe, Soraia. Aquela mulher enlouquecia-o, alongava as suas noites, perturbando o seu sono; tirava a sua atenção no trabalho; era quase uma obsessão sua. Mas ele não tinha coragem de levar adiante uma abordagem, a sua profunda timidez e a insegurança, ao lado da evidente indiferença de Soraia por ele, impediam qualquer pensamento de aproximação com fins de conquista. Guardava sempre para si esses seus sinceros sentimentos. Mas, agora, ele tinha em mãos um vídeo que poderia comprometer a credibilidade de Soraia diante dos outros subordinados e da direção da empresa. Certamente aqueles que cobiçavam o posto dela usariam essa situação embaraçosa para sacá-la do cargo. Numa sociedade hipócrita como a nossa, não fica nada bem um chefe ou uma chefe relacionar-se com o subordinado casado, ainda mais adoptando esse tipo de prática no ambiente de trabalho. Ainda que Soraia não perdesse a chefia, Francisco estava certo de que ela não desejaria estar no meio de uma confusão conjugal; a não ser que estivesse apaixonada por Marcos e assumisse a relação; algo muito improvável, dada a sua notória aversão a relacionamento sério. E pelo que conhecia do seu caráter, Soraia não teria a atitude egoísta de não se importar com as consequências danosas para o seu amante; até se sacrificaria para não prejudicá-lo, mesmo que não estivesse apaixonada por ele. Sim, ele tinha um grande trunfo nas mãos, algo bombástico e comprometedor. Os dois amantes tinham muito a perder. Depois de reflectir bastante, tomou a decisão. Num inacreditável acesso de coragem e ousadia, ao final do expediente, Francisco abordou a sua chefe no estacionamento e chamou-a para conversarem num canto mais reservado. Fez-lhe a revelação sobre o vídeo e, em seguida, comunicou a proposta: “Quero, pelo menos, uma noite de amor com você, caso negue o meu pedido, divulgarei esse vídeo na internet, e todos da empresa tomarão conhecimento do caso entre vocês. Nem ouse revelar isso para alguém, nem comunicar para a polícia, pois nunca estive tão seguro de uma decisão em toda a minha vida.” E detalhou todas as implicações que atingiriam os dois envolvidos na gravação. Estarrecida, atónita, desnorteada, Soraia ficou alguns minutos sem conseguir pronunciar uma única palavra. Depois, gaguejando, pediu para ver o vídeo, e, realmente, ela e Marcos estavam lá, a praticar os seus jogos de carícias. Tentou demovê-lo daquela ideia desprezível e absurda, mas nenhum argumento produziu efeito; Francisco mostrava-se irredutível. Dando fim à discussão, ele apenas informou que ela tinha até o outro dia para pensar e marcou o encontro num café, no fim da tarde, para receber a resposta. Deu as costas e saiu, deixando Soraia em estado de choque no estacionamento. Francisco era um sujeito comum, sem graça, desajeitado, longe de ser bonito. Era inteligente, criativo, engraçado, mas a sua timidez e insegurança bloqueavam-no, de modo que, há anos, ocupava um emprego medíocre, sem perspectivas de crescimento profissional. Soraia era exatamente o oposto, linda, elegante, charmosa. Era segura, firme, determinada. Sabia fazer uso das suas habilidades pessoais e cognitivas para evoluir no campo profissional. Rapidamente, ela cresceu na carreira e já ocupava um importante cargo de chefia, numa grande empresa. Quando um sujeito como Francisco poderia ter uma mulher interessante como Soraia: linda, exuberante, cobiçada e inteligente? Nunca ele sequer tocou numa mulher dessa estirpe. Invejava as conquistas dos amigos, todos bem diferentes dele: bonitos, charmosos, atraentes. As mulheres só procuravam neles a aparência. Ele era o mais inteligente, culto e engraçado de todos, mas essas virtudes eram preteridas à beleza dos seus amigos. Agora ele podia ter nas suas mãos, para o seu gozo, uma mulher que fizesse frente, ou fosse até melhor, que as conquistadas pelos seus amigos, ainda que essa conquista se desse por meios desonestos. Mas qual a importância disso para Francisco? Na sua mente fraca e complexada, o importante era desfrutá-la; era tê-la; sem importar se ela agiria falsa e mecanicamente. Não condenava a conduta de sexo descompromissado de Soraia, mas, uma vez que ela se entregava sem amor a outros homens que não a valorizavam, por que não se entregar a ele, que a amava verdadeiramente? O sacrifício seria penoso demais? Entregar-se logo a ele! Ele que não tinha corpo atlético, nem traços faciais agradáveis e mal sabia vestir bem! Era o seu troco; a vingança estava armada. Soraia seria a escolhida como o símbolo de repugnância de Francisco a toda uma sociedade impiedosa, que, não satisfeita em impor padrões de beleza opressores às mulheres, agora dirigia a sua tirania estética também aos homens; tirania que o excluía dos benefícios sem piedade. Essa armação seria a desforra de todos os olhares de menosprezo que recebera e a todas as rejeições de que fora vítima ao tentar abordar uma mulher. Entraria nessa lógica perversa. O que o atraía em Soraia não eram apenas os seus evidentes atributos físicos, mas a sua determinação, segurança, sensatez e inteligência. Pois, agora, não mais ligaria para essas virtudes; só queria mesmo refestelar-se, como um glutão, no delicioso corpo da sua chefe. Ficou até de madrugada envolvido nesse género de pensamentos, só interrompidos por alguns versos românticos que surgiam na sua cabeça; versos imediatamente passados para um papel que pretendia entregar à sua amada. Sim, o amor atormenta até indivíduos equilibrados, imagina a agitação que esse sentimento pode provocar numa mente perturbada como a de Francisco. No dia seguinte, um sábado, Soraia, muito nervosa, compareceu ao encontro conforme o combinado. Acompanhada de um primo da policia, que ficou escondido a uma distância conveniente do café, Soraia, decidida a não ceder às chantagens de Francisco, levou oculto consigo um gravador, com o intuito de colher provas contra o infame chantagista. Francisco já estava sentado. Ela aproximou-se, e ele a pediu para se sentar. Francisco começou, então, o seu discurso: “Sei que você nunca aceitaria essa chantagem, e isso faz-me admirá-la ainda mais. Pode ficar tranquila, não vou usar e nunca usaria essa gravação contra você. Aqui está, vou apagar o vídeo, agora, na sua frente, e garanto-lhe que não fiz cópia do arquivo; só existe esse aqui que carrego comigo. Entrego a você o aparelho ou quebro-o na sua frente, se isso a tranquilizar mais. Você pode ir embora quando quiser, mas queria dizer-lhe algumas palavras. Peço desculpas pelo recurso condenável que usei para a atrair até aqui, mas não conseguiria fazer-lhe o convite de modo regular. Ensaiei diversas vezes, mas não fui capaz de seguir adiante. E você também não aceitaria se eu a convidasse; na melhor das hipóteses, daria um sorriso cortês e diria não. Desculpa! Bem...O que eu tenho guardado para lhe dizer é que, há dois anos, sou apaixonado por você. Esse sentimento nasceu assim que a vi e cresceu assustadoramente com a sequência dos dias. Verdadeiramente, amo-te. ” E discursou por mais algum tempo, revelando com toda a sinceridade a pureza dos seus sentimentos. Soraia, absorta, chocada, desarmada, não soube o que dizer diante da força e da sinceridade do depoimento de Francisco. Emudeceu-se. Enterneceu-se. Ela tentou falar algo, mas Francisco adiantou-se e entregou-lhe o bilhete em que anotara a declaração redigida na madrugada daquele dia. O bilhete dizia assim: “Perdão por recorrer a um expediente tão vil para pedir a sua atenção, mas caíria doente se eu não aproveitasse essa chance que me apareceu para revelar-lhe tudo o que sinto por você. Seria o homem mais feliz a andar sobre a terra se eu pudesse tê-la ao meu lado; se eu pudesse singrar com o meu humilde barco esse belo e sinuoso rio que é o seu corpo, e percorrê-lo cuidadosamente até me precipitar na depressão que esconde a deliciosa fenda de todos os melhores prazeres, e ali mergulhar como um diligente escafandrista à procura do objeto precioso, no meu caso, o seu deleite, minha amada. O meu desejo é fazer essa viagem todas as noites e oferecer-lhe, diariamente, todo o meu amor.” Ao final da leitura, Soraia ficou totalmente fora de si. Pediu para ir ao banheiro, refletiu por alguns minutos e, apesar de condenar com todas as forças, a conduta inescrupulosa do seu pretendente, resolveu ouvi-lo. Desligou o gravador, ligou para o primo e comunicou que ele poderia ir embora, afirmando que tudo não passava de um mal entendido. Voltou à mesa. E não se arrependeu da sua decisão. Como havia virtudes incontáveis escondidas atrás daquela timidez desajeitada! Francisco era culto, inteligente, engraçado, educado e atencioso. Nunca vira tantas qualidades reunidas num só homem. Ficou encantada. O encontro estendeu-se tanto em tempo quanto em local, e, algumas horas depois, estavam num quarto de motel. Francisco, então, procedeu como imaginara. Pediu para Soraia se deitar nua na cama. Como um pintor que dá os últimos retoques na sua grande obra, Francisco, tendo o seu membro como pincel, contornou leve e docemente todo o corpo da amada. Sempre com a ponta do seu túrgido utensílio começou a percorrer Soraia pelos pés, seguiu pelas pernas e atingiu os glúteos; subiu aquelas colinas. Continuou vagarosamente pelas costas até chegar ao pescoço, deixando, no caminho, o rastro da sua tinta transparente e brilhosa que era produzida em abundância em razão da sua intensa excitação. Executava toda a acção de maneira tão branda, que podia sentir na glande o toque singelo dos filamentos da pele de Soraia. Em seguida passou o seu instrumento pelas orelhas e bochechas, para, finalmente, oferecê-lo à amada para um beijo; e ela beijou-o ternamente, totalmente imersa no clima de ternura criado por Francisco. Depois de receber os carinhos orais, Francisco desceu o seu membro para os peitos de Soraia e ali se demorou na visita, encaixando-o entre eles, deslizando-o, dando longas voltas em cada mamilo. Seguiu pela barriga, púbis e finalmente alcançou o baixo-ventre e lançou-se naquela doce penumbra; e só se rendeu ao gozo quando se certificou que a sua amada já tinha desfrutado de todos os orgasmos possíveis. Que noite maravilhosa para ambos! A partir desse dia, a sintonia que surgiu entre os dois era tão fina, a harmonia era tão precisa, que outros encontros como aquele ocorreram diversas vezes. E os dois, seguindo o curso invencível que tomou a relação, marcaram a data para um encontro especial acontecer, sem que estabelecessem data para ele acabar. |
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