A prova do crime
Publicado em 2013-03-20 na categoria Contos eróticos / Hetero


"Boa noite! Gostaria de falar com um agente da autoridade se faz o favor", solicita, com toda educação e gravidade, um senhor distinto, bem vestido, cabelos bem cortados, barba feita, sapatos caros, aparentando ter 40 anos, que se apresentou na recepção do posto policial. Tem toda a aparência de ser pessoa da classe alta.

Ele chega, acompanhado por uma mulher. Ela é linda, atraente, cabelos longos e negros, extremamente elegante e sensual, perfuma todo o ambiente com uma fragrância sofisticada. Deve ter uns 30 anos. Senta-se no hall de entrada e fica à espera de cabeça baixa. Parece timida e sentir muita vergonha por estar naquele lugar onde estão outras indivíduos, alguns dos quais olham para ela de forma provocadora.

- De que se trata o assunto, senhor? Responde o agente policial que atende ao balcão.

- Desculpe-me, senhor agente. É um assunto particular, delicado, que prefiro tratar diretamente em outro lugar, na máxima discrição, com uma agente. Ele fala com calma, mas com muita firmeza.

O Agente policial, vendo a seriedade e a obstinação no tom de voz do homem, atende ao pedido e chama um outro agente.

- Colega -  iniciou o homem, - pode falar com este senhor numa sala mais reservada e discreta?

- Sim concerteza. Queira acompanhar-me, por gentileza. Responde a agente.

O marido chama a mulher. Ambos seguem a agente e entram numa sala. Esta senta-se e solicita que o casal faça o mesmo.  A mulher continua cabisbaixa.

- Pois bem, senhor. O que deseja? Indaga a agente policial.

 O marido inicia o relato do caso.

- Voltei de uma viagem e encontrei a minha mulher abalada, assustada, confusa. Pensei que fosse pela surpresa ao ver-me, pois eu só deveria chegar no dia seguinte. Mas ela garantiu-me que não era isso. Reparei em algumas manchas roxas no pescoço dela. E ela tinha outras em várias partes do corpo. Questionei a razão dessas manchas. Ela, a princípio, não quis falar. Insisti bastante, até que ele me contou que tinha sido abusada.

A mulher continua em silencio; olhos voltados para o chão.

- E como se deu o acto, senhor?

- Foi abusada com violência!

- Neste momento, dá no mesmo, senhor. Todavia adianto que, nesses casos, o tipo penal é violação. É assim que vai constar nos autos e assim será chamado durante a investigação e nas audiências que compõem o julgamento. É bom acostumar-se com o termo. Não sei por que tanto medo dessa palavra. Mas não vem ao caso. Continue. Aliás, não é melhor que ela fale?

- Não. A minha mulher está muito abalada; ela não quer tocar mais no assunto, não se quer relembrar do terrível acontecimento.

- Entendo. Continue o senhor mesmo, então. Quando? Como? Ela sabe quem foi o autor?

- Iria entrar nesses detalhes agora, senhora.  Ela contou-me que foi de táxi trabalhar porque tinha sofrido um pequeno acidente com o nosso veículo e, como estava sozinha em casa, não quis arriscar. Para voltar, aceitou a boleia de um colega.  No caminho, esse colega começou a cortejá-la. A minha mulher fingiu não entender. Ele foi mais claro na abordagem; abusando até. Sem rodeios, declarou a sua atração pela minha mulher e disse que desejava tê-la naquele momento. Ela naturalmente negou, pediu que ele parasse o carro, pois iria descer imediatamente. Se ele não parasse, ela sataria do veículo, em movimento. Foi quando o covarde puxou uma arma que estava debaixo do banco e ameaçou-a. Ela não teve escolha. Seguiu com o safado ao apartamento dele, onde se deu o... a violência.

- E ela sabe o endereço?

- Sim, doutor. Ela anotou nesse papel. Como ela não teve forças para pronunciar o nome do patife, escreveu-o aqui nesse canto (apontando para o bilhete).

A agente convoca outros agentes policiais e relata o caso. Ordena o deslocamento imediato da equipa até ao endereço e a condução do suspeito ao posto, alertando que tudo deveria ser realizado dentro dos tramites legais.

Os agentes policiais chegam ao endereço e convocam o suspeito, que se apresenta calmamente, com cara de desentendido. Quando lhe comunicam a acusação, ele fica surpreso, pasmado; em seguida, revolta-se: “Sou inocente, sou inocente”, repete. “Desgraçada!” Completa. Os agentes policiais pedem ao suspeito que os acompanhe. Ele não opõe resistência; só pede para buscar um objeto importante a casa. Os agentes policiais, vendo a boa vontade do homem, permitem. Ele entra em casa e volta rapidamente; inteiramente disposto a colaborar. É tão solícito e submisso, que se livra dos sopapos que lhe estavam reservados. Ou será que não apanhou porque era bem apessoado e aparentava ser da alta sociedade?

Chegando, os agentes conduzem o acusado à sala que fica num canto oposto àquela onde estão os acusadores. A agente vai ter com ele:

- Então, meu jovem, o que tem a dizer sobre a acusação que lhe imputam?

- Pois, não vou dizer nada, senhora agente. Só quero que vejam o conteúdo dessa pen drive, na verdade o primeiro arquivo. Senhora agente - prossegue o jovem, - eu gostaria que ela e o marido também vissem ese arquivo juntos.

- Escuta bem, meu rapaz, aqui quem manda sou eu! Fique a saber. Farei como eu achar melhor. Esbravejou a agente. Mas, achando o pedido do suspeito no mínimo intrigante, desarmou-se. Mais calma, pede detalhes sobre o conteúdo do dispositivo.  

- E o que é que temos nessa pen drive de tão importante, meu bom rapaz?

- Algo bombástico e comprometedor. A senhora agente verá que eu tenho razão. Só faço esse pedido. Já que me acusaram, e eu asseguro-lhe que foi injustamente, eu peço que abra o arquivo na frente dos dois mentirosos. Quero dizer, da mentirosa e do enganado. Chame os outros agentes policiais para a sala também. Eles vão gostar do que verão.

- E você não quer acompanhar também? Indaga a agente autoridade, bem mais disposta em relação ao suspeito.

- Não. Acompanharei a movimentação daqui mesmo. Depois que ficar tudo esclarecido, gostaria de ter o gosto de ficar de frente para os dois e ter o prazer de olhar a cara de vergonha deles.

- Ok. Você é quem sabe.

A agente chama alguns colegas, para servirem de testemunha, e todos seguem para a sala. 

- Introduzam esta pen drive e abram o primeiro arquivo. Ordena a agente.

- Mas o que é isso, senhora agente? O que está a acontecer? Pergunta curioso e surpreso o marido.

A mulher estava calada e calada ficou. Mas agora levanta os olhos. Olha para os agentes policiais assustada; vê-os introduzindo o dispositivo na máquina; olha para o monitor.

Abre-se a pen drive. Abre-se o arquivo. Abre-se a roupa da acusadora. Abre-se a roupa do acusado. Abrem-se as bocas, da acusadora e do acusado, para um tórrido beijo. E, pelo andar do vídeo apresentado, outras partes da acusada se abrirão.  Arregalam-se os olhos do marido, da agente, dos agentes policiais. Fecham-se os olhos da mulher.

- Mas o que isso?! Grita o marido, perdendo a elegante compostura que sustinha até então. – Interrompa esse vídeo. 

- Hã? O que é que o senhor, disse? (Longa pausa. O marido continuava a pedir a interrupção do vídeo, agora com mais veemência). Ah, o vídeo?! Não posso. Temos que analisar os factos em todos os seus detalhes. Teremos que ver o vídeo até ao final. Podem surgir novas circunstâncias que alterem a linha de investigação. Não sabemos o que pode suceder. Lamento muito, senhor.

A mulher sai a correr da sala. O marido corre atrás exigindo uma explicação: “Calma, aí! Aonde é que vais? Exijo uma explicação agora. Para já onde estás”. A mulher segue o seu caminho sem dar ouvidos. Pega num táxi e vai-se embora. O marido deixa a esquadra atrás dela.

O acusado continua na sua sala. Vê, de relance, o marido e mulher a correr e sorri. A agente chama o restante da equipa. O caso parece ser complicado; outras opiniões são essenciais.

E o vídeo continua. Trinta minutos depois, está no momento em que a mulher se põe de quatro na cama. Ele lança-se na fenda que se abre desejosa. Desfere bofetadas; muitas e bem fortes. Ela geme menos de dor que de prazer. Ela pede mais, grita por mais: “Dá-me mais chapadas, da-me mais fortes. Dá, vai! Dá, porra!” Ele dá, sem se esquecer das estocadas.

Ela goza aos grunhidos. E ele é resistente. Já passou pelas três vias mais trafegadas e continuava firme.

Ela, toda assanhada, satisfeita, oferece-se novamente: “Onde é que me queres foder agora?” Ele pede a boca. “Vou te fazer gozar... tú és bezerrinha que me vai mamar tudinho,” diz ela em tom provocativo.

Ele anima-se. Ela é gulosa e habilidosa, com uma garganta que é um abismo. Há revezamento no polo activo da operação. Ela afunda-se na verga dele; vai, vem; para; aguarda. Ele afunda a verga na cavidade bucal dela; vai, vem; para; aguarda. Esse revezamento repete-se várias vezes. 

Ela é dedicada. Tremores sucessivos, ele vai gozar. Segura nas orelhas delas e empurra o quadril. Ela vai engasgar-se. Ele não recua. Lágrimas nos olhos dela. Ele relincha, dá coices, dá pinotes, a cada chapada que leva nas nádegas. Tudo indica ser um fetiche dos dois. Estranho...Ela não é uma bezerra?! Va-se entender as brincadeiras desses amantes...

É bem apropriada, nesse caso; ele é um cavalo tanto na musculatura como  no tamanho do membro. Ele contrai os glúteos e empurra mais um pouco o quadril. Ela é obstinada. Ele urra e grita anunciando o gozo iminente. Ela empenha-se ainda mais. Os movimentos da garganta indicam que ela recebe o seu prémio por tanta dedicação. Ninguém o vê; nada escapa. Aos tremeliques, ele esmorece devagar. Beija a mulher. Deitam-se abraçados. The End.

A agente vai até à sala do jovem.

- Você está livre, meu rapaz.

- E a minha pen drive?

- Vai ficar apreendida. É material de investigação. Será juntada ao processo.

- Como assim?! Não está mais do que provado que sou inocente?! A vítima foi-se até embora, desistiu da acusação. Preciso da pen drive, senhora agente. 

- Ela não manifestou formalmente a desistência. Temos que apurar direito o ocorrido. E... (gaguejando) são procedimentos policiais. Vai querer ensinar-me o meu trabalho agora?! Finge irritação a agente.

O Rapaz abaixa a cabeça. Ela continua.

- Inclusive você dificilmente verá de novo esse vídeo. Farei eu mesma um memorando solicitando que esse rico material seja destinado a outros fins. Somente para fins didáticos, claro. E o senhor pode ir.

O inocente sai, e a agente volta à sua sala.

- Carlos - grita a agente da autoridade  – Coloque o vídeo mais uma vez, pois quero ver se não perdi nenhum detalhe importante. Tudo para a correta apuração dos factos, obviamente...

 
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