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A ciência do beijo
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Porque colar uma boca com outra? Um especialista americano tenta explicar as razões e a evolução do bem beijar. Um assunto com tantas vertentes que até deu um livro. Para Tracy Clark-Flory, jornalista da revista digital "Salon", não há mesmo dúvidas: "Sejamos honestos, um beijo nunca é apenas um beijo", como dizia a canção. Por mais que o tempo passeA propósito do lançamento do livro "A Ciência de beijar: o que os nossos lábios nos estão a contar", de Sheril Kirshenbaum, investigadora da Universidade do Texas, a "Salon" fez uma entrevista com a autora, em busca dos detalhes e das curiosidades deste ato tão humano. Aborda-se a imensa variedade de beijos à volta do mundo, desde os esquimós aos franceses, passando pelos macacos bonobos, que chegam lamber língua com língua durante 12 minutos! Em resumo, a autora classifica os lábios como "ecos genitais" e chega a abordar as alterações que potencialmente serão causadas pelas alterações tecnológicas. O poder do vermelho Parte da explicação pela intensa atração que os lábios causam virá, segundo Sheril Kirshenbaum, citando neurocientistas, do tom vermelho que já atraía os nossos ancestrais, à semelhança de alguns frutos da mesma cor. Tudo porque os espécimes que mostraram ter capacidades para identificar mais rapidamente que o resto do grupo o tom vermelho, acabavam por alimentar-se melhor, garantindo maiores hipóteses de sobrevivência. A partir daí e com a preponderância do vermelho em algumas partes do corpo, esta se terá tornado uma cor associada a aspetos sexuais, sobretudo por ser indicadora em várias espécies da maturidade da fêmea para procriar. Outra explicação vem da ligação entre o beijo e a amamentação, sobretudo devido à libertação que ambas as atividades fazem de oxitocina. Os beijos ditos sociais - aqueles sem contextos românticos - são classificados pela autora como "um dos mais poderosos instrumentos de conexão entre indivíduos". Quanto às diferenças culturais reveladas pelas distintas formas de beijar, Sheril Kirshenbaum retoma a explicação de Charles Darwin de que esta será uma prática universal, nas suas mais variadas formas. Até porque quando se beija, a pulsação acelera, as pupilas dilatam e talvez seja mesmo por isso que, em geral, as pessoas fecham os olhos. O nível de dopamina sobe, relaxando as tensões corporais e provocando uma ansiedade em repetir a sensação prazeirosa. Depois, há as diferenças de género. Os homens preferem beijos molhados. As mulheres dão-lhes maior significado e prestam atenção a aspetos como os dentes do parceiro ou a sua respiração. in, Expresso |
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