“Se for de comum acordo, vale tudo”
Publicado em 2012-07-06 na categoria Erotika / SexBooks


O clássico manual da década de 1970 é actualizado para se adaptar à sexualidade do século XXI. A britânica Susan Quilliam é bastante popular no seu país como conselheira sexual. Por isso, foi escolhida para actualizar o livro "The Joy of Sex" ("Os Prazeres do Sexo"), clássico manual erótico escrito pelo britânico Alex Comfort em 1972 e que já vendeu mais de 8 milhões de cópias.

Ela comenta os cortes e alterações que fez na nova edição, lançada na Inglaterra, para adequá-lo a este início de século XXI.

Ainda há espaço para um livro como "Os Prazeres do Sexo"?
Susan Quilliam:
Hoje temos à nossa disposição muitos livros, artigos e programas de TV sobre o assunto. Mas as pessoas continuam a experimentar problemas na área. É quase como se, à medida que somos bombardeados com informação, ficássemos mais confusos. E quanto mais sexualizada a sociedade se torna, mais aumenta essa sensação de confusão. Eu reescrevi "The Joy of Sex" porque acho que ainda precisamos de um livro sobre sexo capaz de inspirar e informar as pessoas.

Outra coisa mais aceita hoje é o swing e o sexo envolvendo muitas pessoas. O que o livro diz sobre isso?
Quilliam:
A primeira edição tinha um enfoque muito positivo. Mas depois do surgimento da Aids, nos anos 1980, Alex Comfort reescreveu partes do livro para desaconselhar essas práticas. A nova edição dirá que você tem de ser cuidadoso, mas, se praticar sexo seguro, não estará a correr um risco tão grande. Temos estatísticas que sugerem que uma em cada dez pessoas na Inglaterra já fez swing. Temos sex clubs e jantares privados nos quais as pessoas fazem sexo. Isso é algo conhecido. A nova edição vai afirmar que, enquanto você se mantiver no sexo seguro, isso é algo que você pode fazer. Mas não deve pressionar o seu parceiro para aceitar.

Quais eram as seções do livro que realmente precisavam ser atualizadas?
Quilliam:
Havia 12 seções que tivemos que retirar do livro porque estavam incorretas ou ultrapassadas. Alex Comfort tinha uma seção a falar de como fazer amor numa motocicleta em movimento. Na Inglaterra isso é ilegal. Então tivemos que cortar. Também havia secções sobre prostituição e aborto que eram muito preconceituosas ou ultrapassadas. Essas foram as que precisaram ser alteradas radicalmente. Mas muito da ciência a respeito da sexualidade mudou bastante. Naquela época não se sabia nada sobre as hormonas que ditam a sexualidade. Ou sobre as feromonas, que estão ligados à atração. Não havia internet ou serviço de fone erótico. O livro foi reescrito para se tornar mais abrangente e ter mais acurácia.

O que é que você mudou no texto sobre prostituição, por exemplo?
Quilliam:
O autor original via a prostituição simplesmente como "aproveite o sexo e ainda ganhe dinheiro com isso". Agora, sabemos que isso é mais complexo. Na Inglaterra, muitas das prostitutas são pessoas bastante infelizes, que vendem sexo porque têm que sustentar um vício em drogas. Houve uma grande mudança na maneira como enxergamos a prostituição.

Você incluiu mais informações sobre orgasmo feminino?
Quilliam:
Sim, muitas. Em 1972, acreditava-se que a penetração durante o intercurso era a via principal. Agora, os fisiologistas descobriram que a maior parte das mulheres precisa de estimulação do clitóris.

Como é que o tema sexo pela internet é tratado na nova edição?
Quilliam:
De maneira geral, muito positiva. Por meio da rede podem-se formar relações entre pessoas que vivem separadas, às vezes até em países diferentes. Acho que a internet vai mudar a maneira como nos relacionamos de maneira geral, não apenas as relações envolvendo sexo.

Relacionamentos abertos hoje parecem ser mais visíveis. Você oferece conselho para pessoas nessa situação?
Quilliam:
O que Comfort dizia, nos anos 1970, e que eu digo também é que a única coisa importante é que os dois estejam felizes com a situação. De comum acordo, vale tudo.

Lidamos melhor com a sexualidade hoje do que nos anos 1970?
Quilliam:
Em muitos sentidos, sim. Acho que as mulheres, particularmente, tornaram-se melhores em dizer "não", e em dizer "sim" para as coisas que querem fazer. Nos anos 1970, as pessoas só dormiam umas com as outras depois de estabelecer uma relação de longo prazo. Hoje acontece muito mais cedo. Isso pode causar problemas emocionais. E há outros aspectos, como infecções e doenças sexualmente transmissíveis, que sugerem que não estamos a lidar melhor com o sexo, estamos apenas a trata-lo de forma mais irresponsável, em vários sentidos.

 
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