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Homoafetivo (subst.: homoafetividade) - Adjetivo cunhado para descrever a atração afetiva e sexual entre pessoas do mesmo sexo. Este termo é sinônimo de homoerótico e homossexual, e sua vantagem é conotar também os aspectos emocionais e espirituais envolvidos na relação amorosa de gays e lésbicas. Não é usado para descrever pessoas, quando podem ser usados os termos gay, lésbica ou mesmo homossexual. Termos relacionados: homoerótico, homossexual
Homoerótico (subst.: homoerotismo) - Adjetivo cunhado com o objetivo de conotar não só o aspecto físico da relação entre pessoas do mesmo sexo, mas o envolvimento emocional e sensual desta relação. Assim como homoafetivo, não é usado para descrever pessoas, mas aspectos relacionados à relação homoerótica.
Termos relacionados: homoafetivo, homossexual
homofobia - Embora a etimologia da palavra aponte para o significado que denota medo mórbido em relação aos homossexuais (gays e lésbicas), o termo passou a ser empregado para descrever a rejeição e/ou aversão a estes indivíduos e à homossexualidade (consultar termo), conforme já registram os recentes dicionários. A postura homofóbica, desta forma, freqüentemente se manifesta em ações discriminatórias, não raro violentas, que apontam para um ódio gratuito baseado unicamente na orientação sexual do outro. Termos relacionados: heterossexismo
homossexual - Termo utilizado para descrever gays e lésbicas (consultar termos), indistintamente. Pode ser empregado normalmente, mas é necessário esclarecer que seu uso se encontra hoje em discussão, dado o histórico relacionado a atividades clínicas – quando a homossexualidade era considera doença ou desvio psíquico-sexual – e à origem ligada à palavra homossexualismo (consultar termo), considerada ofensiva. Alguns termos que podem vir a substituí-lo: homoerótico e homoafetivo. Se possível, utilize em lugar de homossexual(is) a expressão gays e lésbicas. Termos relacionados: gays, lésbicas, homossexualidade, homossexualismo
homossexualidade - Termo utilizado para descrever a sexualidade dos homossexuais em seu sentido mais abrangente, compreendendo não só a esfera sexual em si (atração e prática do ato), como também a esfera afetiva e a implicação de ambas em comportamentos e relações humanas. Embora nos dicionários as palavras homossexualidade e homossexualismo figurem como sinônimos, utilize sempre a primeira, pois, além de o sufixo -ismo trazer uma carga semântica de conotação negativa e freqüentemente tida como inadequada para designar a sexualidade no sentido atualmente adotado pela Psicologia e ciências correlatas, a palavra homossexualismo é considerada ofensiva, dado o histórico ligado a atividades clínicas, quando o homossexual era considerado portador de deficiências ou desvios psíquico-sexuais. Termos relacionados: homossexual
homossexualismo TERMO PROBLEMÁTICO - Ver homossexualidade. Termos relacionados: homossexual
Movimento gay/lésbico TERMO PROBLEMÁTICO - A expressão dá a entender que existe uma unidade entre os diversos grupos e vertentes que representam os gays e as lésbicas e lutam por seus direitos. Isso não é verdadeiro: o grupos atuam em áreas distintas e se dedicam a causas distintas, não raro divergindo entre si. Se a matéria for sobre um determinado grupo, deve-se especificá-lo. Se a generalização for necessária, opte pela expressão grupos de defesa de direitos dos homossexuais.
lésbica - Mulher que é atraída amorosamente, fisicamente e espiritualmente por outras mulheres. lésbicas não precisam ter tido experiências sexuais com outras mulheres. Na verdade, não precisam ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como lésbicas.
Termos pejorativos/depreciativos/ofensivos
Os termos utilizados de forma ofensiva, depreciativa ou pejorativa para descrever lésbicas são inúmeros e bem conhecidos. Nesta categoria, encaixam-se palavras como sapatão, mulher-macho, bolacha e muitas outras, as quais jamais devem ser usadas para se referir a qualquer integrante deste grupo em um material jornalístico, exceto se forem citadas por outrem (p. ex., numa entrevista), contexto no qual devem ser grafadas entre aspas para destacar a opinião pessoal de quem as proferiu. O fato de que estas palavras não transmitem credibilidade na mídia, entretanto, faz ser preferível o uso pelos repórteres de frases como “a pessoa utilizou uma palavra obscena ou difamatória para descrever uma lésbica, gay ou transexual”.
Generalizações inadequadas
Não se deve utilizar adjetivos para se referir de forma genérica às lésbicas, pois isto cria estereótipos. As lésbicas encerram uma diversidade tão rica quanto a de qualquer outro grupo social, como os próprios heterossexuais. Assim, atrelar qualquer adjetivo à orientação sexual da pessoa, e não à própria pessoa, é contribuir para a desinformação, o que não condiz com os objetivos do jornalismo. No caso de os termos serem citados com esta acepção por outrem, deve-se seguir novamente o princípio da grafia entre aspas.
Termos relacionados: homossexual, homossexualidade
Não-assumido(a) - Indivíduo que não divulga ou não divulgou sua orientação sexual. Termos relacionados: assumir-se, enrustido, não-assumido, outing
No armário - Termo originado do inglês que denota um indivíduo que não divulga sua orientação sexual e freqüentemente se esforça para que outras pessoas não venham a atestá-la. Uma vez que se trata de uma gíria – e, portanto, tem forte possibilidade de não ter o significado apreendido por todos os grupos sociais – recomenda-se, em seu lugar, a expressão não-assumido. Termos relacionados: assumir-se, enrustido, não-assumido, outing
opção sexual (p. ext., preferência sexual, escolha, etc.) TERMO PROBLEMÁTICO - Ver orientação sexual.
orientação sexual - Termo mais adequado para referir-se à atração física, emocional e espiritual para pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, incluindo, portanto, a homossexualidade, a heterossexualidade e a bissexualidade (consultar termos). As expressões opção sexual, preferência sexual e similares não devem ser utilizadas, pois sugerem, em especial no caso de gays e lésbicas, que a homossexualidade é uma escolha, logo “curável” – o que vai contra o posicionamento atual da Psicologia e ciências correlatas e dos estudos sobre o tema. Nas ocasiões em que estas expressões forem proferidas por outrem, devem ser grafadas entre aspas, realçando o caráter pessoal da declaração do emissor.
Outing - Expressão originalmente da língua inglesa, utilizada no Brasil para designar o ato de revelar publicamente a orientação sexual de outra pessoa. O ato é considerado não apropriado política e socialmente falando pela maioria da comunidade GLBT (consultar termo), pois possui um sentido de delação. Nossa comunidade respeita o direito de cada pessoa assumir ou não publicamente sua orientação sexual. Termos relacionados: assumir-se, no armário
Parceria civil (ou união civil) - Termo usado para descrever as uniões entre pessoas do mesmo sexo reconhecidas legalmente pelo Estado. Existem diferentes níveis de parceria civil quanto aos direitos assegurados, desde as mais simples até aquelas que se constituem de fato em casamento gay (consultar termo), com direitos idênticos aos do casamento civil heterossexual. Em todo o caso, deve-se sempre utilizar o termo parceria civil, reservando casamento à esfera religiosa. Ver casamento gay. Termos relacionados: casamento gay
Papéis sexuais - Papéis construídos socialmente, aceitos como inerentemente “masculinos” e “femininos”, ligados ao sexo de nascimento de uma pessoa. Fazem parte deste rol noções como “homem não chora” ou “a mulher deve cuidar de casa”. Esses papéis sexuais, que há muito já são questionados na sociedade atual, não devem ser utilizados para caracterizar casais de lésbicas e gays. Termos relacionados: ativo/passivo (veja “Noções Difamatórias a Respeito da homossexualidade”)
Simpatizante - Termo que designa o indivíduo destituído de preconceitos e que freqüentemente se simpatiza e é solidário às lutas empreendidas por gays e lésbicas. Termos relacionados: GLS
Tese da legítima defesa da honra - Artifício jurídico da legislação brasileira empregado como atenuante em determinados tipos de crime. No caso de gays e lésbicas, podem ser usadosc como argumento, por parte do agressor, no caso de uma violência sofrida pelo homossexual. A tese baseia-se no fato de que um comportamento que denote assédio por parte do homossexual leva o agressor a cometer o crime para “proteger” a sua honra.
Transformista - Indivíduo que se veste com roupas do sexo oposto movido por questões artísticas. O transformismo não está relacionado à orientação sexual do indivíduo – muitos transformistas são heterossexuais – e pode ser visto como uma atividade profissional, relacionada ao espetáculo. Termos relacionados: cross-dresser, drag king, drag queen
Transexual - Indivíduo que tem convicção de pertencer ao sexo oposto, o que pressupõe desejar suas características fisiológicas, muitas vezes obtendo-as por meio de tratamento e cirurgia. Um transexual é aquele cujo sexo biológico não confere com sua identidade de gênero, isto é, o senso pessoal que o indivíduo possui de ser homem ou mulher. Desta forma, a cirurgia de troca de sexo e o processo de transição (terapia hormonal, alteração de identidade, cirurgias plásticas, etc.) apresentam-se como quesitos inalienáveis da felicidade do transexual, harmonizando identidade, corpo e sexo. Termos relacionados: transgênero, travesti
Transgénero - Termo genérico utilizado para designar indivíduos que agem social e particularmente como pertencentes ao sexo oposto. Desta forma, pode ser empregado tanto para descrever transexuais quanto travestis (consultar termos), indistintamente. Termos relacionados: transexual, travesti
Travesti - homossexual que se veste e se comporta social e mesmo particularmente como se pertencesse ao sexo oposto, o que, não raro, se complementa em alterações corporais alcançadas por meio de terapias hormonais, cirurgias plásticas, etc. A diferença entre transexual (consultar termo) e travesti está na identidade do gênero: enquanto o primeiro está convicto de pertencer ao sexo oposto e procura harmonizar corpo, sexo e identidade, o travesti, apesar de se comportar como pertencente àquele sexo, não apresenta problema semelhante na construção de sua identidade, aceitando o sexo biológico apesar das alterações corporais que promove em si.
Termos relacionados: transexual, transgênero
União Civil - Ver parceria civil
Noções difamatórias a respeito da homossexualidade
Nem sempre as palavras seguintes são usadas diretamente para falar de sexualidade. Ainda assim, a noção que elas transmitem muitas vezes está embutida no texto jornalístico. Outras vezes, elas são utilizadas em programas de ficção, para caracterizar personagens, especialmente em comédias. Essas idéias a respeito de homossexualidade são, além de discriminatórias, simplesmente enganosas, e não devem ser utilizadas.
No caso do jornalismo, o espectador deve ser confrontado com pontos de vista diferentes, de modo a estimular a formação de suas próprias opiniões. Na ficção, seja para o drama ou para a comédia, o motor de qualquer história é o conflito, se não de um personagem com outros, de um personagem contra ele mesmo. Ainda assim, é possível escrever uma história interessante ou engraçada sem recorrer a idéias discriminatórias e difamatórias – como mostra boa parte da produção recente de programas de TV e filmes de outros países.
Homossexuais, assim como heterossexuais, possuem os mesmos tipos de conflitos em relação ao amor, à amizade e à busca de seus objetivos. Frases como “onde foi que eu errei”, opondo pai e filho, por exemplo, alimentam a idéia de “naturalidade” da heterossexualidade em comparação com envolvimentos afetivos gays. Além disso, disseminam erroneamente que a aceitação da homossexualidade por pais é sempre conflituosa e vergonhosa. Personagens gays que se remetem à “passividade” da relação homossexual – como se a homossexualidade se remetesse apenas ao ato físico, genital – ou que são simplesmente misóginos são outros exemplos de difamação.
Destaca-se que isso não é censura, mas a apenas a busca por tratamento digno e respeitoso que é dado a outras minorias, e por uma forma de entretenimento, que além de interessante, saiba respeitar inteligentemente as diferenças. Contamos com sua ajuda para alcançar este objetivo.
Normal, natural - não existe sexualidade “normal”. A sexualidade humana é múltipla e plástica. Falar de “normalidade” de uma identidade ou orientação sexual pressupõe que existe um “desvio da norma”, uma “anormalidade”. Pelo mesmo motivo, evite o uso do termo “natural”. Evite frases do tipo “fulano de tal é normal, mas tem amigos gays”.
Perversão - a perversão é definida como o contato exclusivo com objeto ou parte do corpo sem envolvimento emocional, não vinculado à orientação sexual. homossexualidade não é perversão.
Promiscuidade - a quantidade de parceiros de uma pessoa não está vinculada à orientação sexual. Além disso, muitas vezes se diferencia um homossexual e um heterossexual em relação ao número excessivo de parceiros: o homossexual é “promíscuo”, o heterossexual possui uma espécie valorizada de “supermasculinidade”. Segundo o Ministério da Saúde, qualquer pessoa com mais de três parceiros por ano é considerada “promíscua”, independentemente da orientação sexual. Ninguém é mais ou menos promíscuo por ser homo ou heterossexual.
Pedofilia - independe da orientação sexual. Um pedófilo pode ser homo ou heterossexual. As pessoas da comunidade GLBT, assim como o restante da sociedade brasileira, condena com veemência esse tipo de prática.
Ativo/passivo - a orientação sexual de uma pessoa não está vinculada ao papel sexual com o(a) parceiro(a). Aliás, a sexualidade, independentemente da orientação, envolve um conjunto de fatores emocionais e afetivos que vão muito além do ato genital. Essas palavras também podem denotar, de forma extensiva, não só o ato genital como também uma postura perante a vida, no caso das mulheres, de qualquer orientação sexual, o que é falso. Exemplos que devem ser evitados: homens com roupas femininas que são gays e caracterizados como “passivos”, casais de lésbicas em que uma está vestida de forma masculina e a outra com roupas femininas, como se uma fosse “ativa” e a outra “passiva”. Evite essa diferenciação, especialmente ao caracterizar personagens de humor.
Misoginia - é o chamado ódio ou receio das mulheres. gays não são inerentemente misóginos. Do mesmo modo, lésbicas não odeiam homens, assim como não odeiam mulheres heterossexuais. O afeto de pessoas GLBT, assim como de heterossexuais, não envolve apenas o envolvimento amoroso, mas também envolvimentos afetivos e espirituais de outro cunho, como a amizade e a solidariedade a pessoas de qualquer orientação sexual.
“Disfuncional”, “pervertido”, “desordenado”, “anormal”, “doente” e similares - Em 1973, a American Psychiatric Association, ao fim de uma longa e calorosa discussão interna, retirou a homossexualidade da lista dos distúrbios mentais. Em 1999, diante da inquietação social no Brasil em torno das práticas sexuais consideradas desviantes do ideal hegemônico, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) nomeou uma comissão de especialistas com notórias contribuições de pesquisa na área para deliberarem sobre o assunto. Assim, tanto no Brasil como em outros países, cientificamente homossexualidade não é considerada doença.
Cura da homossexualidade - A resolução do Conselho Federal de Psicologia atualmente em vigor no país, que tem valor de lei de regulamentação do exercício profissional para psicólogos de todo o Brasil, proíbe entre outras coisas a tentativa de um psicólogo de “curar” seu paciente homossexual. Neste caso, o infrator pode até perder o seu registro profissional
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