Tim Cook: “Tenho orgulho de ser gay”
Publicado em 2015-01-30 na categoria SexCult / Homossexualidade


O executivo-chefe da Apple somou-se na quinta-feira à longa lista de personalidades norte-americanas que compartilham publicamente a sua homossexualidade. Num artigo de sua autoria publicado na revista Bloomberg Businessweek, Tim Cook tornou-se o mais importante executivo de uma companhia norte-americana a revelar essa orientação sexual.

“Tenho orgulho de ser gay e considero que esse é um dos maiores presentes que Deus me deu”, escreve Cook, que assumiu o cargo de CEO da Apple em 2011, após a morte de Steve Jobs, ocorrida em outubro daquele ano. O ensaio de Cook, surpreendentemente pessoal para um indivíduo que, conforme ele mesmo reconhece, sempre zelou pela sua vida privada, reúne argumentos já empregados por muita gente antes dele: que compartilhar a homossexualidade é algo que pode inspirar jovens que se sintam discriminados, mas é também um gesto de gratidão a todos os que previamente lutaram pela igualdade.

Cook relata que decidiu abrir uma exceção na sua regra sobre a protecção da privacidade: “Não me considero um activista, mas percebo o quanto beneficiei com o sacrifício de outros”, explica. “Então, se a notícia de que o CEO da Apple é gay ajudar alguém a reconhecer quem é, confortar alguém que se sinta sozinho ou inspirar pessoas a insistirem na sua igualdade, então vale a pena abrir mão da minha própria privacidade.”

No seu texto, Cook cita o reverendo Martin Luther King, líder na luta pelos direitos civis das minorias raciais nos EUA. “A pergunta mais persistente e urgente da vida é: o que estamos a fazer pelos outros”, disse King. “Frequentemente desafio-me com essa pergunta e concluí que o meu desejo de privacidade estava a impedir-me de fazer algo mais importante. E isso é que me trouxe até aqui hoje”, escreve Cook.

O executivo conta que já havia saído do armário com os seus colegas na Apple – tanto que muita gente não se surpreendeu com a publicação do ensaio – e que isso não alterou o tratamento que recebe. “Entretanto, tive a sorte de trabalhar numa empresa que ama a criatividade e a inovação e sabe que elas só podem florescer quando você abraça as diferenças de cada pessoa. E nem todos têm essa sorte.”

Às vésperas de completar 54 anos, Cook afirma que “graças a ser gay” sabe melhor o que significa ser parte de uma minoria e que isso fez dele uma pessoa “mais empática”, ajudando-o a ter “uma vida mais completa”.

“Às vezes é duro e desconfortável”, afirma, “mas isso dá-me confiança para ser eu mesmo, para seguir o meu próprio caminho e para me erguer acima da adversidade e da intolerância. Além disso, deu-me uma pele de rinoceronte, o que vem a calhar quando você é executivo-chefe da Apple”.

O executivo, que já havia manifestado em numerosas ocasiões o seu apoio ao avanço da igualdade para os cidadãos homossexuais, somou-se assim à onda que nos últimos dois anos empurrou a opinião pública dos EUA na direcção, por exemplo, da legalização do casamento homossexual. Cook observou que em muitos Estados dos EUA ainda é legal demitir funcionários ou expulsar inquilinos com base na sua sexualidade. “Parte do progresso social consiste em compreender que uma pessoa não se define unicamente pela sua sexualidade, a sua raça ou o seu género”, escreve.

“Devo admitir que para mim não foi uma escolha fácil”, afirma Cook, que passou grande parte da sua infância no conservador Estado do Alabama. “Quando chego ao meu escritório todas as manhãs, sou recebido por fotos emolduradas do dr. King e de Robert F. Kennedy [senador democrata assassinado em 1968]. Não finjo que este ensaio me colocará na mesma categoria que eles. O que ele me permite é olhar para essas imagens e saber que estou a fazer a minha parte, por menor que seja, para ajudar os outros. Juntos pavimentamos o ensolarado caminho para a justiça, tijolo a tijolo. Esse é o meu tijolo.”

 
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