Duche vaginal: saiba por que você deve evitá-lo
Publicado em 2015-06-24 na categoria SexLexis / Saúde sexual feminina


Um dos grandes mitos da higiene genital são os duches vaginais. Para manter a vagina limpa e saudável não é necessário lavar o seu interior, pelo contrário, as lavagens internas podem aumentar o risco de contraíres uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST).

Comum na época das avós, a ducha vaginal vem perdendo adeptas, mas ainda faz parte da rotina de mulheres que acreditam estar em busca de uma limpeza completa. A origem do problema está no entendimento errado, antigo, mas que ainda perdura, de que a vagina seria um local “sujo”. Você está entre elas?

É importante saber que o órgão feminino pode ser mais limpo até mesmo que a boca e sem precisar de qualquer lavagem interna. O problema da ducha é que ela não apenas limpa a vagina, como também manda embora toda a defesa existente nela. Ou seja, você usa o acessório com a melhor das intenções, mas o resultado que produz é totalmente oposto daquilo que busca.

Os duches vaginais são lavagens do canal vaginal com água ou uma solução antissética. A menos que tenhas uma infecção, estas lavagens são desaconselhadas pelos médicos que defendem que a vagina consegue lavar-se sozinha através da produção de muco.

A necessidade de sentir a vagina fresca e limpa pode levar a alguns extremos desnecessários.

Uma vez que a vagina contem microrganismos protetores necessários ao seu equilíbrio e saúde, lavar o seu interior retira-os diminuindo as defesas inatas do corpo. Este facto pode levar à irritação vaginal com prurido e desconforto, infeções fúngicas e bacterianas.

Quando não existem estes sintomas é suficiente lava o exterior de manhã e à noite com sabão neutro e água tépida, para garantir uma boa higiene desta zona. Se romper um preservativo durante a relação sexual não faças lavagens, nem mandes jatos de água. Estas ações apenas empurram os fluidos para cima, quando na verdade queremos que estes saiam.

O mais aconselhado é sentares-te na sanita ou bidé e fazer força com os músculos da vagina ou do ânus para expulsar os fluidos. Esta posição deverá ser suficiente para expulsar o máximo de fluídos. Depois faz a higiene da parte exterior dos lábios ou ânus com água e sabão. O ideal é fazer o Teste do VIH imediatamente a seguir e três meses após o incidente. Caso não estejas a fazer nenhum método de contraceção podes recorrer a pilula do dia seguinte.

Para despistar outras IST consulta um médico que te marcará os exames necessários.

Por que a ducha vaginal não é indicada

Estudos mostram que a vagina tem um tipo de ação autolimpante. Isso mesmo: ela consegue fazer a limpeza naturalmente, sem que, para isso, a mulher precise usar algum produto ou mesmo água, como frequentemente é feita durante o uso da ducha vaginal.

Ao introduzir água, seja com o auxílio de uma seringa ou mesmo o chuveirinho, ou produtos que se dizem específicos para fazer a ducha vaginal, a mulher está eliminando todas as defesas do local.

De acordo com um estudo do Instituto Sérgio Rocha, de Porto Alegre, as duchas destroem os linfócitos, células de defesa que vivem na parte interna da vagina. Isso aumenta as chances de infecções por fungos, como a candidíase, e também as inflamações, como a famosa vaginite. 

A ducha vaginal é tão agressiva que consegue não só destruir as defesas, mas também manda embora as bactérias boas, que ajudam a regular a acidez da flora vaginal e o pH do local. Por isso, se você ainda é adepta do hábito, é melhor repensar e abandoná-lo.

Ducha vaginal pode prejudicar a vida sexual 

Você até pensar que isso é loucura, mas não é. Como a ducha vaginal é altamente agressiva às defesas e também faz com que a vagina fique mais sensível, os reflexos negativos aparecem até mesmo durante o sexo. Durante a penetração, a mulher pode sentir dor e desconforto, não querendo que o parceiro a penetre ou mesmo a masturbe. 

Outra questão importante quanto à ducha é que ela não serve como método contraceptivo. Muitas mulheres usam a técnica depois da penetração sem preservativo com a intenção de eliminar o sêmen. A tática é ineficaz, pois os espermatozoides são projetados contra o colo do útero e chegam rapidamente ao interior do órgão. Basta que um consiga completar o trajeto na corrida para a vida e a mulher irá engravidar.

Como fazer a limpeza adequada da vagina

A melhor maneira de manter a vagina limpa é ter uma alimentação balanceada e não se expondo a situações de riscos de doença. A limpeza física, no entanto, só é indicada na parte externa e deve ser feita apenas com água e sabonete neutro.

Os sabonetes íntimos também nem sempre são indicados. Na dúvida, converse com seu ginecologista. Esses produtos têm a vantagem de atacar as bactérias, mas também podem eliminar as bactérias boas – o que deixa a mulher com o pH da vagina alterado e a região mais suscetível a infecções e inflamações.

É indicado também usar roupas confortáveis e não muito justas. Sempre que possível, deixe a área ventilada. Uma dica é dormir sem calcinha.

 
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