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Cirurgia Ãntima ou quando a vagina vai ao médico e muda de visualPublicado em 2018-09-28 na categoria Sexologia / Sexualidade
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Excesso de tamanho dos pequenos ou dos grandes lábios vaginais, monte pubiano volumoso, escurecimento da zona vaginal e questões relacionadas com dor durante o ato sexual estão entre as queixas mais recorrentes. Longe de ser meramente estética, a cirurgia Ãntima é a resposta a vários problemas que afectam a vida das mulheres e, em casos extremos, podem levar à abstinência sexual. Falámos com um cirurgião.Chamam-lhe a cirurgia das mulheres de meia-idade ou, de uma forma mais crua, “uma mudança de visual para a vagina”. Em 2015 foram realizadas mais de 95 mil labioplastias e mais de 50 mil vaginoplastias a nível mundial. As críticas defendem que a popularidade destas cirurgias reflete uma sociedade que escrutina até a parte mais íntima do corpo de uma mulher e que é impulsionada por uma indústria que se alimenta das inseguranças femininas, como escreve o jornal norte-americano The Dallas Morning News. Mas há um outro lado nesta história, poucas vezes abordado: estas cirurgias são a resposta a muitas condições médicas, incluindo incontinência, reconstrução após partos traumáticos e disfunções sexuais que podem afetar drasticamente a vida das mulheres. Em Portugal, as cirurgias íntimas são realizadas há vários anos, embora, a nível estético, tenha havido uma maior incidência nos últimos seis. Quem o afirma é Francisco Ibérico Nogueira, cirurgião plástico há mais de 30 anos e fundador da clínica com o mesmo nome, com quem falámos para desmitificar o tabu. Intervenções estéticas com efeitos psicológicosHá muitos problemas psicológicos que não se resolvem no psicólogo. E tudo o que envolva a qualidade de vida sexual é um bom exemplo. Teresa* fez uma redução dos pequenos lábios vaginais e uma perineoplastia — cirurgia para reconstruir os músculos da vagina que podem ficar alterados após vários partos, provocando dores e o difícil desencadear do orgasmo — na Clínica Ibérico Nogueira.
Entre os motivos mais comuns que fazem as mulheres recorrer a cirurgias íntimas, Ibérico Nogueira destaca questões ligadas com a disfunção sexual que, na verdade, podem desencadear distúrbios psicológicos graves e, em casos extremos, levar mesmo à abstinência sexual. Mas há outros: excesso de tamanho dos pequenos ou dos grandes lábios vaginais, monte pubiano volumoso, escurecimento da zona vaginal e, por vezes, questões relacionadas com dor durante o ato sexual. Falamos de muitas razões estéticas, é verdade, mas “estas intervenções têm efeitos sobretudo ao nível psicológico e de auto-estima que acabam por se refletir numa melhoria da vida sexual”, explica o cirurgião. Ibérico Nogueira afirma ainda que a procura da cirurgia íntima tem sido crescente em Portugal e isso só pode significar uma diminuição dos tabus existentes. Alguns fatores populares como a depilação total, que estimula a atenção da componente estética desta zona do corpo, também têm a sua quota parte de responsabilidade na diminuição do tabu. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é recordista mundial em cirurgias íntimas femininas, com números a rondar as 14 mil anuais na modalidade mais popular — a cirurgia aos lábios vaginais. Este número representa um crescimento de 75 por cento relativamente aos últimos anos. Que tipo de cirurgias íntimas existem?
É usual realizarem-se vários procedimentos em simultâneo. Por exemplo, durante uma perineoplastia podem reduzir-se os pequenos lábios ao mesmo tempo. Em mulheres mais velhas, é comum haver uma atrofia dos lábios vaginais pelo que, durante uma vaginoplastia, pode-se fazer ao mesmo tempo um preenchimento dos grandes lábios. Caso não existam contra-indicações, estas intervenções podem ser realizadas a partir dos 17 anos, altura em que já não se irão verificar alterações anatómicas importantes. São procedimentos pouco invasivos com a duração média de 30 a 60 minutos e, regra geral, a recuperação total é em sete a 10 dias. Relações sexuais, esforços físicos e ginásio devem ser evitados durante cerca de três a quatro semanas. Relativamente a valores, Ibérico Nogueira explica que há uma variação que depende do que se vai fazer: anestesia local ou com sedação, em tratamento cirúrgico (ex: labioplastia) ou ambulatório (ex: clareamento vaginal e preenchimento de lábios). Mas pode contar com algo entre os 400 e os 3.500 euros. *nome fictício, esta pessoa não quis ser identificada. in, O Observador |
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