A sexualidade de Luciana, personagem da novela ‘Viver a Vida’ provoca a discussão do assunto que as pessoas normalmente tem muita curiosidade e muito desconhecimento. Uma das cenas mais esperadas da novela ‘Viver a vida’ aconteceu: a primeira noite de amor entre Miguel e Luciana, personagem tetraplégica vivida por Alinne Morais.
A cena chamou a atenção para um assunto delicado: a vida sexual de pessoas especiais.
A sexualidade de Luciana, personagem da novela provoca a discussão de um assunto que as pessoas normalmente tem muita curiosidade e muito desconhecimento. Afinal, um cadeirante com lesão medular, tem vida sexual? Faz sexo?
“Faz. Ele às vezes tem sensibilidade. Pode chegar ao orgasmo, mas não necessariamente pelo acto sexual em si, pela penetração. O que ocorre é que esse indivíduo vai desenvolver outras áreas erógenas de estimulação”, explica a médica especialista em reabilitação da Unifesp, Rosane Chamlian.
“Eu tenho sensibilidade numa região que eu descobri com ele que não tem nada a ver, que não é de nenhuma mulher. Na minha cintura, onde é a transição da minha sensibilidade. Eu adoro quando a gente está numa relação sexual, ele está a segurar aqui, fazendo um carinho”, contou a consultora em inclusão de deficientes, Carolina Ignarra.
“Vai ter o mesmo prazer do que um acto sexual ? Não, vai ter mais prazer, porque você descobriu uma coisa que ninguém descobriu naquela pessoa”, afirma o psicólogo e sexólogo Fabiano Puhlmann.
Carolina tem 31 anos, ficou paraplégica aos 22 num acidente de moto. Luiz era amigo dela na época, e acabou por se apaixonar. Hoje, eles têm uma filha de 5 anos.
Fabiano vive na cadeira de rodas desde um acidente na piscina, aos 17 anos. Hoje ele tem 44. É psicólogo, e escreveu o livro: “A revolução sexual sobre rodas”.
“Eu acho que o maior preconceito está na cabeça do próprio deficiente. Ele tem que se libertar dos preconceitos , principalmente se ele ficou deficiente”, alerta Fabiano.
“Num lesado medular, ele consegue ereção em 80% dos casos, só que manter a ereção é um pouco mais difícil. É exactamente isso que a gente precisa orientá-los. Na adoção de posturas especiais, de dispositivos especiais, que existem medicamentos. Tanto para o homem quanto para a mulher existem técnicas medicamentosas e por mecanismos, aparelhos externos”, orienta Rosane Chamlian.
Luciana estava também envergonhada: “Essa questão por exemplo de fazer xixi. Você sabe, eu tenho que fazer cateterismo a toda hora. Vou chegar à veira do meu namorado e dizer: espera só um pouquinho que eu vou fazer um "cat" e já volto”.
“Eu vou-te dizer. Nesta cidade o mais difícil é encontrar um motel adaptado. Pessoalmente não conheço nenhum. Se você se deparar com algum por aí, avisa-me?”
Vamos conhecer um motel adaptado para cadeirantes. “É fundamental esse espaço debaixo da pia para não trancar a cadeira. A banheira dá um show, a altura regula com a cadeira, tem essas barras de apoio”, diz a escritora Juliana Carvalho.
No chuveiro, além das barras um lugar para sentar. “Mas eu estou a achar que isso aqui dá para fazer algo mais não é?”, brinca.
Juliana tinha 19 anos quando ficou paraplégica, por causa de uma inflamação na medula: “Eu levei muito tempo para me readaptar a essa nova realidade. Fui ter a minha primeira relação sexual na cadeira de rodas depois de 5 anos”, lembra.
Hoje, aos 28 anos, ela está a lançar um livro para ajudar jovens cadeirantes a redescobrir a sua sexualidade: “Há muitas mulheres que anda, que têm sensibilidade e que nunca vão saber o que é um orgasmo. Eu tive a oportunidade de saber o que é um orgasmo antes e como é depois. Olha só que engraçado: um dos orgasmos mais memoráveis da minha vida foi depois da lesão”.
“Eu também não tenho a perna mais gostosa do mundo, nem o rabo mais gostoso do mundo mas eu acho que eu sou gostosa. Para o meu marido eu sou gostosa. Ele deseja-me”, conta uma deficiente.
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