Embora muito se fale sobre sexo, de facto, nem sempre se pratica o mesmo com a frequência com que é decantado em verso, prosa e nas melodias românticas. É isto mesmo, há mais gente a falar de sexo do que a praticá-lo. Hoje não apenas os seminaristas, padres e outros categorias que optam pela abstinência sexual espontânea são privados dos prazeres da carne.
Há um sem número de homens e mulheres que passam por verdadeiras privações quando o assunto é encontrar um parceiro sexual. De acordo com a sabedoria popular, a ausência de uma rotina sexual pode levar as pessoas a tornarem-se resmongonas, mal-humoradas e outros adjectivos nem sempre carinhosos. Para os psicólogos especialistas na linha cognitivo-comportamental, explica para isto está no facto de algumas pessoas que já sofrem com transtornos de humor e por isto apresentam alterações no desejo e nas respostas sexuais. “Daí as crenças e suposições populares de que falta de sexo provoca alterações do humor, quando na verdade ambos os sintomas podem aparecer simultaneamente como parte de um quadro patológico”, afirmam.
Na prática, ao ter orgasmo a pessoa libera endorfina e uma série de substâncias dentre elas a serotonina - neurotransmissor que desempenha um papel importante na regulação do humor, no apetite sexual e alimentar, função motora, no ciclo sono-vigília e percepção da dor -, que resultam numa melhor disposição da pessoa em questão. Por outro lado, é visível o desconforto que sentem as pessoas que não mantêm uma vida sexual activa.
É como mostram os psicólogos, em que observam haver “inúmeros exemplos que podemos citar, do modo como o contexto histórico-social valida ou discrimina determinadas práticas, ao verificar o que significa a expressão “viúva alegre”. Muitas vezes as mulheres passam anos sob o jugo de um marido completamente intransigente e quando este é subtraído da vida, estas passam a conhecer a vida por um novo prisma, optimizando e usufruindo situações para as quais não tiveram oportunidade antes,– por exemplo, com um novo parceiro que escolheram.
Embora alguns critiquem essas pessoas, elas nos mostram que a sexualidade faz parte da vida dos seres humanos e está presente em todas as fases do desenvolvimento do homem. Vai desde o nascimento até a morte. A função sexual continua por toda a vida, mesmo na Terceira Idade”, afirma. No entanto, os psicólogos observam que a ausência ou não de sexo não deve afectar o comportamento das pessoas. E quando isto ocorre, ela explica que as pessoas já portam alguns déficits cognitivos e comportamentais. “Isto sim pode prejudicar a qualidade das relações interpessoais das actividades sexuais”, dizem.
Transtornos
Não por acaso, explicam os psicólogos, algumas pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, como o bipolar, por exemplo, têm sua libido afetada. “No curso do transtorno bipolar pode ocorrer diminuição ou inibição do desejo sexual durante um episódio depressivo e aumento exacerbado da libido na fase maníaca (euforia). O desenvolvimento da doença está relacionado a factores neurobiológicos e psicossociais, e as anormalidades dos sistemas de neurotransmissores podem favorecer o surgimento de diversos sintomas como oscilações do humor, alterações do pensamento e comportamentos, sintomas psicóticos, entre outros”, afirmam.
Ficar longo tempo sem sexo pode não implicar nada, a não ser em escolha pessoal. Contudo quando isto afecta as relações e o próprio humor é preciso recorrer à ajuda terapêutica. Segundo os psicólogos quando existe desejo sexual intenso e carência de parceiro para satisfazê-lo, deve-se considerar que já existe um problema instalado na situação. “O mesmo pode referir-se, por exemplo, a crenças religiosas e pecado, timidez ou inibição para iniciar um relacionamento, medo da exposição ou de rejeição, dificuldade para estabelecer vínculos afetivos e por aí vai. Buscar ajuda é a única forma de reverter isto”, dizem.
Quem vive esta situação é um sujeito de 31 anos, ele diz que é tão tímido que só consegue aproximar-se de uma mulher após beber muito. “Como estou sempre mau, se tento falar em sexo, elas afastam-se. E quando consigo ficar com alguém, acabo por nem me lembrar bem depois”, confessa. Os especialistas observam que muitas pessoas têm dificuldade para reconhecer e admitir os próprios problemas, mas conseguem superá-los com incentivos adequados de amigos compreensivos. Outras, mais resistentes, devem procurar ajuda psicoterápica para modificar os seus padrões rígidos de pensamentos e criar um novo repertório de habilidades para viver com mais satisfação.
Masturbação
A masturbação, alternativa muito utilizada pelos homens, é, em muitos casos, ignorada pelas mulheres. E segundo os psicólogos, isto ainda é resquício de influência cultural e modelos familiares que repreendem este comportamento nas mulheres e o encoraja nos homens. “Ainda há um predomínio social de (pré)conceitos que admitem a diversidade de parceiras para homens sem a necessidade de vínculos e sem prejuízo moral, enquanto para a mulher o sexo sem compromisso, com a finalidade exclusiva de satisfazer necessidades fisiológicas é visto de forma pejorativa.”, finalizam.
Alguns efeitos da abstinência sexual:
- Homens – a privação sexual por até três dias provoca aumento do sémen e a potência do espermatozóide. A partir do terceiro dia começa o declínio e pode-se inverter entre o 7º e o 10º dia
- Mulheres – a privação sexual por longo período pode provocar ressecamento e perda da elasticidade dos tecidos e fecho do canal vaginal, causando dor e sangramento quando ocorrer o acto
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