A moda do sexo em grupo
Publicado em 2012-07-23 na categoria Sexo100Fronteiras / Sexo em Grupo


Muita gente já está a ficar cansada do tradicional e está sedenta por algo novo, pelo que, o sexo praticado em grupo está definitivamente na moda, sendo ele o swing, o menage ou as orgias. Esta prática é cada vez mais praticada pela elite em iates, hotéis de luxo e palacetes. Conheçam as novas festas do sexo...

Para a meia centena de mulheres e homens, o destino era secreto até à altura em que a limusina estacionou junto a um palacete, na zona de Sintra. Elas usavam vestido de cocktail, e eles fato escuro ou smoking, um dress code obrigatório – tinham também máscaras venezianas, que lhes ocultavam a identidade. Para garantir a total privacidade dos participantes, foi-lhes pedido à entrada que entregassem dispositivos de recolha de imagens, como telemóveis. Cada uma das pessoas, entre os 23 e os 39 anos, pagara dias antes 1.500 euros, preço que incluiu cocktails e refeições com ingredientes afrodisíacos, servidos por mordomos. O convívio, ao som de música clássica e à meia-luz, durou até às 17h, altura em que começou a sessão de sexo em grupo, num salão e em várias salas mais privadas, até de manhã.

“Todas as festas são extravagantes”, descreve uma responsável da Purília, a agência que organizou esta orgia, em Novembro, e que está já a preparar a próxima, a 31 de Março. E quase tudo é permitido, à excepção, por exemplo, de práticas sadomasoquistas. “Há muito o trio, casal e mulher, casal e homem, casais com casais e também um grande desejo em apenas ver e ser visto”, descreve.

A agência escolhe os participantes de acordo com o aspecto físico, a idade e o nível cultural e formação académica. No seu quadro de membros, há jornalistas e apresentadores de televisão, actores, actrizes e empresários. As festas de sexo acontecem em casas particulares, palacetes e suítes de hotéis (neste caso, é contratada uma decoradora para criar um ambiente sofisticado). As datas não são tornadas públicas e o pagamento é feito de forma discreta, para não haver rasto bancário.

A agência prepara-se para tornar estes encontros ainda mais exclusivos, com um novo conceito: a festa intimiss, que acontecerá no próximo ano. A ideia é levar a suítes de hotéis de luxo (em Lisboa, Cascais, Algarve ou Porto), um máximo de 12 participantes seleccionados que irão pagar entre 500 e 750 euros por seis horas. Esta agência vai ainda oferecer ciclos de cinema erótico nesses hotéis, na zona de Cascais e Sintra, um pretexto para “momentos de prazer com confidencialidade”. Estes encontros terão no máximo 15 participantes e o custo de acesso é de 350 euros. O primeiro acontece já a 28 de Janeiro.

Por todo o País, são organizadas festas sexuais exclusivas, onde para entrar é preciso ter dinheiro, os contactos certos ou o estatuto de celebridade. Embora a protecção da identidade dos envolvidos seja uma das características principais destes serviços, há orgias que são filmadas. “Os membros têm de dar a sua permissão por escrito e cada um tem depois acesso a uma cópia do filme, já editado”, explica uma organizadora.

No Verão, há festas em alto mar. A Purília aluga um iate por 3 mil euros e os custos totais podem chegar aos 15 mil euros. Outra agência de topo ao nível europeu e que opera também em Portugal tem o seu próprio iate para encontros sexuais em grupo, no Algarve e em Cascais. Os participantes pagam milhares de euros para entrar. “Este é um mundo muito complexo, onde participam directores de bancos, advogados e médicos que gastam fortunas nestas fantasias e depois apresentam facturas às empresas onde trabalham, como se fossem despesas de viagem, alojamento e jantares”, conta o proprietário dessa agência, que vive na Roménia.

Estes eventos custam muito dinheiro a quem os organiza, mas são lucrativos. Em Junho, a Escorts Hot Club arrendou um convento no Norte do País, por 12.500 euros a noite, a uma empresa que disponibiliza casas senhoriais, palacetes e quintas de luxo para festas. Para manter a privacidade dos participantes, foi criado um cordão de segurança com 50 guarda-_-costas, a maioria funcionários fixos da agência, que recebem entre 2 e 3 mil euros mensais. Uma empresa de catering serviu o buffet – cobrou 2.500 euros, com empregados. A decoração era simples: cortinados, candeeiros e sofás tinham padrões retro, dos anos 70, que custaram à agência mais de 2.500 euros. Cada um dos participantes pagou 2 mil euros, dois dias antes e em notas, nos escritórios da agência. E quem quisesse ter acesso a uma masmorra onde decorriam práticas sadomasoquistas, com apetrechos como coleiras, chicotes e algemas, sem que os restantes convidados suspeitassem, teria de pagar mais 500.

A Escorts Hot Club já organizou festas deste género em quatro conventos diferentes – são as mais caras, e a agência gasta em média 35 mil euros. Mas também já aconteceram em montes alentejanos de luxo com 14 assoalhadas, piscina e campo de ténis, onde as acompanhantes dançaram samba sem roupa, só com o corpo pintado em tons de prateado. Noutra festa, com 30 pessoas, numa casa apalaçada em Seia, arrendada por 5 mil euros, juntaram-se personalidades da televisão – jornalistas, pivôs e actores – que também tiveram de pagar perto de 2 mil euros.

Ter os conhecimentos certos ajuda a entrar numa orgia sem pagar, ficando os custos por conta do anfitrião. Em Dezembro do ano passado, foi oferecida uma festa de sexo a seis empresários paga pela organização do evento de moda que patrocinaram. Em vésperas de Natal, sete acompanhantes de luxo da agência Êxtase saíram do Porto de limusina em direcção a um hotel, onde foram maquilhadas e vestidas por profissionais da moda, como se fossem manequins. A limusina levou-_-as depois a uma casa senhorial numa aldeia perto da Anadia, cercada por mato. Embora a quinta tivesse dois pisos e anexos, só foi ocupado um salão. Estava decorado com pétalas de rosas e velas e havia seis camas rasas, vermelhas, pretas e brancas, com tules em dossel.

A troca de carícias íntimas começou logo ao jantar: os organizadores da festa pediram explicitamente à agência de escorts que escolhesse as suas mulheres mais desinibidas, para o ambiente ser descontraído, como se estivessem a conviver com modelos do evento. Entre vinho, whisky, champanhe e digestivos, deixaram que os homens lhes tocassem, depois despiram-se e algumas saltaram para cima da mesa. Só na limusina, os organizadores da festa gastaram perto de 400 euros. O catering terá rondado os 800 e as camas tinham custado 200 euros cada. A festa durou das 21h às 4h e as acompanhantes voltaram a casa de limusina, cada uma delas com 500 euros. “Só não cobrámos mais porque nos pediram uma coisa mais para jantar ou convívio, embora tenha terminado em sexo”, conta uma delas.

Um homem que se apresenta à SÁBADO como João, e que já participou em várias orgias exclusivas, esteve há seis meses num apartamento em frente à arena do Campo Pequeno, em Lisboa. Conhecia um dos casais que iam participar na festa e só soube do local e hora dois dias antes. Às 16h de um dia de semana (“Assim os vizinhos não desconfiam, porque é uma zona movimentada”, justifica) chegou acompanhado pelos dois. Quando entrou na casa, cruzou-se com um casal “muito conhecido” de um dos canais generalistas de televisão e, mais tarde, entrou um apresentador. “O casal separou-se, ele quis estar com outro homem e ela juntou-se a outro casal. O outro VIP ficou com uma mulher.”

O andar inteiro estava por conta dos 20 participantes. A casa não estava sequer mobilada, mas tinha candeeiros e espelhos para criar ambiente e em cada quarto um LCD a passar filmes pornográficos. “Tentou-se uma coisa à Eyes Wide Shut. No caso do casal da TV, ele ia de fato e ela de casacão e por baixo só tinha lingerie.” Antes de a festa começar, conversaram e tomaram um copo. Depois, iam-se dividindo pelos quartos.

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