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Impulso sexual excessivoPublicado em 2012-08-06 na categoria Sexo100Censura / Adicções sexuais
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Os autores relatam um caso de impulso sexual excessivo. Ressalta-se a importância do diagnóstico desse transtorno sexual na evolução do caso por meio de uma breve revisão sobre o tema e de uma comparação com as descrições e propostas terapêuticas da literatura. Outros termos: Disfunções sexuais; Disfunções sexuais sem outra especificação; Impulso sexual excessivo.INTRODUÇÃO Cerca de 5% da população sofre de impulso sexual excessivo, uma prevalência maior que a esperada, segundo estatísticas americanas (Coleman, 1992). Essa prevalência pode estar, ainda, subestimada, devido às limitações impostas à indagação epidemiológica desses comportamentos por embaraço, vergonha e sigilo dos envolvidos (Black et al., 1997). Há discreta preponderância do sexo masculino (Goodman, 1992), o que também é questionável, levando-se em consideração possíveis interferências de cunho moral e cultural. Mesmo sendo um tema antigo na literatura leiga e científica (por exemplo, os trabalhos do psiquiatra alemão Krafft-Ebbing (1927) sobre "sexualidade patológica", escritos há mais de cem anos), essa entidade carece ainda de critérios diagnósticos bem definidos, se tomarmos por base os atuais instrumentos de classificação em nosologia psiquiátrica. A "ninfomania", termo descritivo que significa um desejo excessivo ou patológico pelo coito, numa mulher, e o "Don Juanismo", o equivalente para o homem, são citados, no DSM-III, no capítulo das "disfunções psicossexuais". Trata-se de uma condição na qual há "sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes, sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas". No DSM-III-R, aparece a expressão "adição não-parafílica", como parte das "disfunções sexuais sem outra especificação", e a descrição é a mesma que a citada no DSM-III. O CID-10 classifica o distúrbio como "impulso sexual excessivo", incluindo nele a ninfomania. Considera ainda que nenhum critério diagnóstico foi tentado para essa categoria e recomenda aos pesquisadores que a estudam, que proponham os seus próprios critérios.
As dependências de formas anónimas de sexo, como o sexo por telefone e a pornografia, também entrariam no rol das dependências sexuais não-parafílicas na visão de outros autores (Kafka, 1991). Porém, para Stoller (1975) e Money (1986) trata-se, inclusive, de um subtipo de parafilia. Kafka (1991) propõe um critério no qual a performance sexual total individual conste de sete ou mais orgasmos por semana, por um período mínimo de doze semanas consecutivas, após os quinze anos de idade. Os paradigmas etiopatológicos na literatura são muitos. Alguns autores enfatizam a redução de ansiedade como verdadeiro fator motivador do comportamento sexual compulsivo (Coleman, 1992). Outros acreditam que eles fariam parte do espectro dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos correlatos (síndrome de Gilles de la Tourette, tricotilomania e transtornos dismórficos corporais) (Stein e Hollander, 1992). Compartilhariam de embasamento neurobiológico e fenomenológico, sendo "atos sexuais repetitivos decorrentes de pensamentos eróticos intrusivos" (Anthony e Hollander, 1992). Quadland (1985) os descreve como "um lapso de controle individual sobre o próprio comportamento sexual", mais próximo, portanto, dos transtornos do controle do impulso. Goodman (1992) propõe critérios operacionais para a "adição sexual" similares àqueles empregados na caracterização diagnóstica do uso abusivo de álcool e drogas e da dependência deles. Os programas baseados em doze passos evolutivos também já fazem parte das possibilidades terapêuticas, nas entidades do tipo "Dependentes de Sexo Anônimos" (Stein et al., 1992), embora nem todos concordem que as pessoas se tornam dependentes de sexo da mesma forma que do álcool ou de outras drogas (Levine e Troiden, 1988). RELATO DO CASO PFS, sexo feminino, 43 anos, branca, separada, procurou o serviço ambulatorial do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo por intermédio do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso - AMJO, dizendo "ter um impulso incontrolável para fazer ligações telefónicas". Relatou, então, que nos últimos meses chegava a passar noites em claro e parte do dia ao telefone, discando para os números que costumam proporcionar a conversação simultânea entre vários indivíduos, em que simulava relações sexuais ou marcava encontros, tendo tido por volta de cinqüenta parceiros somente no último ano (na maioria das vezes, sem exigir deles o uso de preservativos). Apesar das tentativas, não conseguia alterar o ritmo das ligações, o que, segundo ela própria, vinham-lhe causando prejuízos financeiros (devido aos altos valores nas contas telefônicas), profissionais (pois o seu desempenho nas horas de trabalho havia decaído, em função do tempo gasto e da privação de sono impostas pelas atividades anteriormente descritas) e afetivos (não conseguindo posicionar-se perante o seu casamento, já comprometido). Além disso, referia disfunções sexuais, tipo anorgasmia, com a grande maioria dos parceiros. Definia o seu humor como sendo cheio de "altos e baixos". Quando estava alegre, sentia um nítido aumento da libido e, quando deprimida, buscava nas relações sexuais uma espécie de alívio para a baixa auto-estima, ao sentir-se capaz de seduzir ou proporcionar prazer a alguém. Negava o uso abusivo de álcool ou outras substâncias psicoativas, mas costumava automedicar-se com diuréticos e laxantes (não sendo constatado nenhum distúrbio hidroeletrolítico). Tinha problemas alimentares, porém não em frequência que permitisse o diagnóstico de transtorno alimentar, segundo o DSM-IV. A avaliação clínica inicial revelou os seguintes diagnósticos de eixo 1: impulso sexual excessivo, ciclotimia e transtorno alimentar sem outra especificação. Foi submetida a entrevistas semi-estruturadas, com aplicação do Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry (Wing et al., 1990), Yale-Brown Obsessive-Compulsive Scale (Asbahr et al., 1992) e escalas de autopreenchimento, Sensation Seeking Scale (Zuckerman, 1994), Barrat Impulsivity Scale (Barrat, 1993) e Temperament and Character Inventory (Cloninger, 1993):
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