Etimologia e uso da expressão
Publicado em 2012-08-07 na categoria SexCult / Homossexualidade


A palavra homossexual é um híbrido do grego e do latim com o primeiro elemento derivado do grego homos, 'mesmo' (não relacionado com o latim homo, 'homem', como em Homo sapiens), conotando portanto, actos sexuais e afectivos entre membros do mesmo sexo, incluindo o lesbianismo. A palavra gay geralmente refere-se à homossexualidade masculina, mas pode ser usada num sentido mais amplo para se referir a todas as pessoas LGBT.

No contexto da sexualidade, lésbica só se refere à homossexualidade feminina. A palavra "lésbica" é derivada do nome da ilha grega de Lesbos, onde a poetisa Safo escreveu amplamente sobre o seu relacionamento emocional com mulheres jovens. O adjectivo homossexual descreve comportamento, relacionamento, pessoas, orientação etc. A forma adjectiva significa literalmente "mesmo sexo", sendo um híbrido formado a partir de Grego homo- (uma forma de homos "mesmo"), e "sexual" do latim medieval sexualis (do latim clássico sexus).

Alguns especialistas recomendam evitar completamente o uso do termo homossexual devido à sua história clínica e porque a palavra se refere apenas a um tipo de comportamento sexual (em oposição aos sentimentos românticos) e, portanto, tem uma conotação negativa. Há uma visão que afirma que o problema não seria o termo homossexualidade, antes a palavra homossexualismo.

Especialistas em literatura psiquiátrica concordam em posicionar o surgimento do termo homossexualismo no século XIX, por volta da década de 1860 ou 1870, criado pelo discurso médico para identificar o sujeito homossexual. Uma vez que o sufixo "ismo" é utilizado para referenciar posições filosóficas, ideológicas e/ou científicas, diversos psicólogos e outros afirmam que a sua utilização é errónea e usada no passado como forma de associá-la a distúrbio mental ou doença.

Em alguns léxicos, o homossexualismo aparece definido por prática de actos homossexuais, enquanto o termo homossexualidade é aplicado à atracção sentimental e sexual. Também por isso, muitas pessoas consideram que o termo homossexualismo tem um significado pejorativo, e isto tem levado a que o termo seja hoje em dia mais utilizado por pessoas que têm uma visão negativa da homossexualidade. No entanto, a adoção de ambas as formas tem sido vasta em qualquer campo.

O termo "homossexualismo" é utilizado com frequência, por exemplo, tanto coloquialmente como em obras académicas e dicionários como sinónimo de "homossexualidade", sem que seja feita qualquer distinção entre as duas palavras, enquanto que em outros documentos evita-se o "ismo" e a sua carga patológica e adota-se o "dade" que significa modo de ser. Há ainda académicos que, adotando a proposta de Jurandir Freire Costa, evitam ambos os termos e preferem homoafectividade em virtude de um caratér "pejorativo" em que as outras duas palavras seriam utilizadas (este termo foi criado originariamente pelo psicanalista alemão Ferenczi, em 1911, com o assentimento de Freud).


Primeira menção do termo homossexual, 1869 escrito por Karl Maria Kertbeny.

A primeira aparição conhecida do termo homossexual na impressão foi encontrada num panfleto de 1869, publicado anonimamente, pelo romancista alemão nascido na Áustria, Karl-Maria Kertbeny, argumentando contra uma lei anti-sodomia prussiana. Em 1879, Gustav Jager usou os termos de Kertbeny no seu livro "Descoberta da Alma" (1880). Em 1886, Richard von Krafft-Ebing usou os termos homossexual e heterossexual, no seu livro "Psychopathia Sexualis", provavelmente emprestando-os de Jager.

O livro de Krafft-Ebing era tão popular entre leigos e médicos que os termos "heterossexual" e "homossexual" tornaram-se os mais aceitos para designar orientação sexual. Como tal, o uso atual do termo tem as suas raízes na abrangente tradição do século XIX da taxonomia da personalidade. Estes continuam a influenciar o desenvolvimento do conceito moderno de orientação sexual, sendo associados ao amor romântico e à identidade, além do seu significado original, que era exclusivamente sexual.

Outros termos

Embora os primeiros autores também tenham usado o adjetivo homossexual para se referir a qualquer contexto homo, ie., do mesmo sexo (como um conversatório ou escola exclusiva para meninas), hoje o termo é usado exclusivamente em referência à atração sexual, actividade e orientação. O termo homossocial agora é usado para descrever contextos do mesmo sexo que não são especificamente sexuais. Há também uma palavra referindo-se ao amor pelo mesmo sexo, homofilia.

Outros termos incluem o "homens que fazem sexo com homens" ou HSH (usado na comunidade médica quando debatem, especificamente, a actividade homossexual entre homens), "homoerotismo" (referindo-se às obras de arte), "heteroflexível/bi-curioso" (referindo-se a uma pessoa que se identifica como heterossexual, mas, ocasionalmente, sente ou mostra interesse em atividade sexual com alguém do mesmo sexo) e "metrossexual" (referindo-se um homem não-gay vaidoso e com gostos do estereótipo gay em comida, moda e design).

Entre os termos pejorativos e ofensivos da Língua Portuguesa temos bicha (criado nos anos 1930), viado, boiola, marica, paneleiro, sapatão, entre outros. Tal como acontece em insultos étnicos e raciais, no entanto, o mau uso desses termos pode ainda ser altamente ofensivo e a gama de utilização aceitável depende do contexto e da pessoa que está a falar (grupos homossexuais muitas vezes o usam positivamente). Por outro lado, gay, uma palavra originalmente abraçada por homens e mulheres homossexuais como uma expressão positiva, afirmativa (como na liberação gay e nos direitos gay), é muitas vezes usado de modo pejorativo.

Embora gay seja usado como denominador comum entre homens e mulheres homossexuais e bissexuais, tal uso tem sido por vezes contestado em razão do desejo de individuação de outros grupos de variação sexual, que reivindicam identidade autônoma, independente, própria. Especialistas têm escrito que isto é característico, não apenas de grupos de tal interesse, mas de qualquer outro grupo humano.

 
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